É
PRECISO INTENSIFICAR A LUTA
POR
UMA MUDANÇA DE POLITICA
Caros/as Companheiros/Companheiras,
Os últimos meses têm sido nos nossos dois países e
na euro-região Alentejo-Extemadura um tempo de intensa acção sindical e de
importantes lutas de um e outro lado da antiga fronteira.
Num quadro marcado pelo aumento dramático do
desemprego e a precariedade, pelo embaratecimento dos salários e pelo
agravamento das condições de trabalho, pelo ataque aos direitos laborais e à
proteção social, os trabalhadores e as populações do Alentejo e da Extremadura têm
desenvolvido uma intensa acção de cidadania e de luta, nos locais de trabalho e
nas ruas de que se destacaram as Greves Gerais cumpridas no Alentejo e na
Extremadura e as grandiosas manifestações que inundaram ruas e praças de ambas
as regiões.No actual contexto nacional e europeu, de aprofundamento das contradições do sistema capitalista, verifica-se que a imposição de mais sacrifícios à classe trabalhadora e outras camadas desfavorecidas, coexiste com uma vontade de mudança e condenação das políticas de austeridade, como mostram quer a forma entusiástica e firme das lutas que aqui temos desenvolvido quer os resultados das eleições recentemente realizadas em França e na Grécia.
Sendo tais resultados consequência da luta social e de massas, importa incentivar e continuar o combate sem tréguas contra as teses das inevitabilidades e da resignação apregoadas pelos ideólogos do capital e do liberalismo, sem deixar, no entanto, de também aqui, não perdermos a nossa capacidade de aliar ao protesto e à luta a nossa capacidade de propor e unir.
Hoje, tal como ontem, é o movimento sindical de classe, o espaço de unidade e de acção em que os trabalhadores se organizam, se sentem representados e que nela confiam para prosseguir a luta por uma efectiva Mudança de Política, que nos permita construir o futuro que queremos numa Europa de Paz e com o Modelo Social construído pela tenacidade e querer dos seus trabalhadores e trabalhadoras.
Ao contrário do que os governos insistem em fazer crer, não são os trabalhadores e os mais desfavorecidos quem vive acima das possibilidades dos países. Quem vive acima das possibilidades são os que vivem da exploração, da usura, da agiotagem e da apropriação ilegítima dos recursos e da riqueza produzida.
São esses quem deve ser chamado a pagar a factura e não os que vivem do seu trabalho ou de pequenas pensões e que são vítimas de brutais medidas de empobrecimento e de cortes nos serviços públicos prestados nas áreas da saúde, da educação e ensino e nos apoios sociais.
A Euro-região, como os respectivos países e a própria União Europeia necessita urgentemente de políticas de crescimento económico e não das políticas propostas pelos actuais mandantes que aprofundam a recessão, constituem um verdadeiro garrote ao desenvolvimento de inúmeros países e funcionam como sorvedouro da riqueza produzida nos países periféricos e da sua concentração no Centro da Europa.
Persistir na austeridade e na cobertura ao Tratado
Orçamental iria, caso fosse aplicado, condicionar ainda mais a criação do
emprego, sentenciar as famílias à ruina, pôr em causa as funções sociais do
Estado, hipotecar a independência e soberania nacionais de muitos Estados
membros e destruir o Modelo Social Europeu. Ao contrário do que os Governos e o grande patronato afirmam, não é com mais precariedade, ou com o corte de feriados e férias, que no caso português corresponde a 7 dias de trabalho gratuito, que se promove o crescimento económico e se reduz o desemprego. Como não são os direitos laborais e sociais os inimigos da economia.
São os direitos laborais que permitem um trabalho com dignidade e que criam condições para melhorar as condições económicas e a produtividade de um país. A ofensiva que os governos estão a levar a cabo contra os serviços públicos e as funções sociais do estado (Saúde, Educação, Segurança Social) tem de ser travada!
Neste quadro, tendo presente a gravidade da situação, importa que o Conselho Sindical Interregional Alentejo/Extremadura e as instituições sindicais que o integram se disponibilizem para:
§ Intensificar a mobilização para a luta contra as
tentativas para rasgar acordos e retirar direitos lutando
nos locais de trabalho contra a sua aprovação, promulgação ou aplicação.
Combater as alterações para pior da legislação laboral, incluindo todas as
medidas que visem aumentar o tempo de trabalho, fazendo respeitar a duração dos
horários consagrados nas convenções colectivas, os seus limites diários e
semanais e os dois dias de descanso semanal. Combater a diminuição da
retribuição, a liberalização dos despedimentos e a introdução dos “bancos de
horas” ou quaisquer regimes de adaptabilidade dos horários que visem colocar os
trabalhadores disponíveis a todas as horas para o patrão, com prejuízo da sua vida
privada e familiar;
§
Continuar
o combate contra a precariedade e efectivar os direitos colectivos e
individuais dos trabalhadores constantes dos contratos colectivos de trabalho e
da legislação, através do combate às causas que impedem ou neutralizam o seu
exercício, bem como exigir o cumprimento das normas de trabalho;
§ Prosseguir a acção reivindicativa para garantir e
efectivar o direito de negociação colectiva, e aprofundar o seu
papel na regulamentação das relações de trabalho, combater as discriminações
salariais e promover a igualdade.
§ Trabalhar para harmonizar no progresso as condições
de vida e de trabalho no Alentejo e na Extremadura e desenvolver actividade
sindical para que sejam garantidos os direitos dos trabalhadores e
trabalhadoras que atravessam “a fronteira “ para trabalhar.
Este é um tempo de intensificação e alargamento da
luta.
Só a ruptura com as políticas que nos querem impor pode
permitir um novo caminho para o crescimento económico, o desenvolvimento e o
progresso da euro-região e dos nossos dois países. As importantes Jornadas de luta já realizadas este ano, no Alentejo e na Extremadura têm de ter continuidade.
E serão tanto mais eficazes se soubermos dar-lhe dimensão transfronteiriça!

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