sexta-feira, 30 de setembro de 2011

António Murteira, um amigo de há muito e um camarada de sempre


Ser de somenos!
A comunicação social no Alentejo e no país

A generalidade da comunicação social privada, regional e nacional, é bem o retrato dos políticos, dos capitalistas e dos banqueiros que mandam no país e nos arruinaram: qualquer coisa de somenos!
Somenos no sentido em que a palavra significa o que “tem pouco ou nenhum valor”, o “que é mediocre, rasca, ordinário, reles”. Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de Lisboa.
Para essa comunicação social a maioria dos portugueses, que são os trabalhadores, os jovens, os reformados, pouco contam.
São entendidos como meros “recursos”, uma espécie de bestas de trabalho, que terão de ser sempre mais esprimidos para proporcionarem lucros crescentes aos capitalistas, aos banqueiros, aos grandes proprietários de terras..
Se sofrem ou são lançados na pobreza, se ficam sem trabalho, se o banco lhes fica com a casa, o que se passa nas suas vidas e no seu mundo, as suas ideias, propostas, e reivindicações, não merecem ser notícia.
Em contrapartida todas as ideias, propostas, reivindicações, chico-espertezas dos capitalistas e da alta gatunagem, são ditas e reditas nessas televisões, rádios e jornais.

Ora, os trabalhadores e os jovens, em todos os países, são os principais produtores de riqueza e garante da dignidade. É sabido que o capital, só por si, não gera riqueza real. Não semeia um campo ou vai à pesca ao mar. Não produz uma batata, um borrego, um automóvel, um computador, um medicamento. Não constrói uma casa, uma ponte ou uma estrada. Não escreve um livro ou compõe uma música. Quem produz esses bens essênciais à vida são os trabalhadores, os técnicos, os cientistas. Quem mantem a segurança são os agentes policiais, quem assegura a defesa do país são os militares.
Experimentem os capitalistas e os banqueiros colocar um milhão de euros no alto de uma torre ou no fundo de um cofre forte. Vão lá daí a seis meses e verifiquem se esse capital, só por si, se reproduziu!

Pelas razões apontadas, e pela pluralidade que a Constituição e a lei vulgar acolhe, a linha editorial e a prática jornalística que esconda ou desvalorize as ideias, as ações e as propostas de quem trabalha e produz riqueza, não pode ser considerada senão como uma linha editorial e uma prática jornalística de somenos: “mediocre, rasca, ordinário, reles”, “de pouco ou nenhum valor”.
Mas porque estou eu tão indignado logo pela manhã de uma tão aprazível sexta-feira de outono? É que, amanhã, trabalhadores e jovens portugueses vão manifestar-se em Lisboa e no Porto. Vão manifestar-se em defesa da dignidade do povo português e de Portugal.
E como procede a generalidade da comunicação social? No Alentejo, jornais regionais como o Diário do Sul (30/9), o Registo (29/9) ou o Diário do Alentejo (30/9), nas edições que antecedem as jornadas em Lisboa e no Porto, nem uma entrevista aos dirigentes sindicais ou a trabalhadores e jovens, nem uma
palavra sobre as dignificantes e patrióticas jornadas nacionais dos trabalhadores.
Dos jornais regionais, que consultei, apenas o Alentejo Popular anuncia as manifestações de dia 1 de outubro em Lisboa e no Porto.
Os principais jornais nacionais, nas capas, nem uma palavra (no interior não sei). O Público nem na capa nem no interior faz a mínima alusão às jornadas de 1 de outubro.
A minha conclusão e indignação: é preciso ser-se de somenos (“mediocre, reles”) para assim proceder!
Pois bem, amanhã lá estarei, em Lisboa, orgulhosamente, com trabalhadores e jovens do meu país! Com militares e agentes de segurança do meu país! Com reformados do meu país! Em defesa da dignidade do meu país!
Évora 30 de Setembro de 2011
António Murteira
Autor. Editor e Diretor Executivo da Revista Alentejo.
Engenheiro Técnico Agrário

Nota: Ontem, na Madeira, pessoas de um dos partidos em campanha ocuparam durante horas o Jornal da Madeira, imagem e voz do ‘tiranete’ e oligarca e seus capangas no arquipélago. Exigem pluralidade e tratamento respeitoso para todas as correntes ideológicas e setores da sociedade madeirense!

Miguel Urbano Rodrigues trouxe a Portalegre a sua firme esperança no Mundo e nos Homens e Mulheres!


Seis dezenas de pessoas estiveram na noite de d8 de Setembro, no auditório da Biblioteca Municipal de Portalegre à conversa com Miguel Urbano Rodrigues, tendo como "motivo" a apresentação do livro da sua autoria "Tempos de Barbárie e de Luta".

A iniciativa partiu da Associação 25 de Abril - Núcleo do Norte Alentejano e da União dos Sindicatos do Norte Alentejano e contou com o apoio da Editora Página a Página e do Município de Portalegre.

Na mesa a rodear o autor estiveram o Director da Biblioteca Municipal, o Presidente do Núcleo da Associação 25 de Abril e o Coordenador da USNA/cgtp-in, que agradeceram a presença de Miguel Urbano Rodrigues e assinalaram o seu riquíssimo percurso e a sua luta em defesa da liberdade.

A apresentação do livro coube ao Ten. Coronel Matos Serra mas coube ao autor o momento alto da noite: uma extraordinária licção do nosso mundo e do nosso tempo e uma inabalável certeza de que é possível travar a Barbárie e construir um mundo melhor.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

TEMPO DE BARBÁRIE E DE LUTA

A USNA/cgtp-in em associação com a Associação 25 de Abril - Núcleo do Norte Alentejano organiza o lançamento do livro de Miguel Urbano Rodrigues "Tempos de Barbárie e de luta" na cidade de Portalegre.
A iniciativa para a qual estão convidados todos quantos acreditam num mundo melhor, terá lugar no auditório da Biblioteca Municipal, no próximo dia 28 de Setembro, às 21 horas com a presença do autor.
A apresentação do livro será feita pelo Ten. coronel Matos Serra, um militar de Abril que dirige o núcleo do Norte Alentejano da Associção 25 de Abril.

VAMOS TRAVÁ-LOS! É preciso e é urgente!

A preparação da nossa participação na Manifestação de 1 de Outubro em Lisboa tem vindo a mobilizar um significativo número de sindicatos e de dirigentes.
Nos locais de trabalho e na rua tem sido intensa a actividade dos prinicpais sindicatos do distrito que tem agido de forma concertada nos diferentes concelhos do distrito e emparticular nas três cidades: Portalegre, Elvas e Ponte de Sôr.

Em Portalegre a 16 de Setembro os diferentes sindicatos desdobraram-se por diversas reuniões e visitas numa azáfama que culminou com a reunião da Direcção Regional mas que fora marcada pela iniciativa de rua dos Professores e pelas iniciativas e Conferência de imprensa da Interjovem.

Dia 19 foi o dia dedicado à cidade da Ponte de Sôr.
Plenários nas empresas e serviços, visitas aos diferentes locais de trabalho para contactos e distribuição de documentos que culminaram com uma tribuna pública frente à Rodoviária. Uma tribuna de denuncia das malfeitorias do governo e do Presidente do Município Local que resolveu impedir a realização do Plenário marcado nos termos da lei para as oficinas do município.

Hoje, dia 26, foi destinado à cidade de Elvas.
Desde muito cedo brigadas com activistas sindicais do Comércio e Serviços, da Função Pública e dos Professores intervinham em inumeros locais de trabalho enquanto carros de som percorriam as principais artérias da cidade.

Uma concentração de activistas ao final da tarde encerrou o dia de indignação e acção e confirmava a expectativas existentes de que dia 1 de Outubro, em Lisboa, também a voz de Elvas se fará ouvir.

sábado, 10 de setembro de 2011

Na organização da resposta à declaração de guerra feita pelo governo do capital

No Norte Alentejano prosseguem os contactos visando organizar a resposta aos ataques que são feitos aos trabalhadores e à região.

A USNA/cgtp-in continua a assumir a coordenação da resistência. Ao mesmo tempo que promove a discussão e mobilização nos locais de trabalho a União tem vindo a encontrar-se com as estruturas regionais dos partidos políticos para lhes levar as suas reivindicações e propostas, para lhes dar a conhecer as lutas já decididas e para "os desafiar" a mobilizarem os seus quadros para participarem nas acções.
Ontem, dia 9, foi a vez de reunir com a DORPOR do PCP, às 15 horas e com o Núcleo Distrital so B.E.

Das reuniões realizadas nas sedes regionais de cada um dos partidos a delegação da USNA saíu a afirmação da solidariedade política com as lutas já agendadas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

COMBATER O DESEMPREGO, AFIRMAR O ALENTEJO!



Os sindicatos do Alentejo reunidos em Beja, a 7 de Setembro último, reafirmaram a sua disponibilidade e vontade para continuarem e intensificarem a luta pelo desenvolvimento da Região e em defesa das condições de vida e de trabalho da sua população.

No encontro realizado no auditório da biblioteca José Saramago, em Beja, sete dezenas de dirigentes sindicais em representação de todo o movimento sindical da região e oriundos dos três distritos que a compõem debateram a situação social no país e na região, analisaram os impactos da politicas do governo, debateram as formas de melhorarem a sua acção nos locais de trabalho e definiram a participação dos alentejanos e alentejanas nas lutas a desenvolver.

O Encontro Sindical Regional valorizou a luta desenvolvida na região e no país, reafirmou a exigência de politicas capazes de potenciarem as enormes disponibilidades da região e voltou a exigir a criação das regiões administrativas e em particular da Região Alentejo.

O Encontro reafirmou a exigência de políticas capazes de potenciarem as enormes capacidades da região de forma a garantirem o aumento da produção e uma maior comparticipação da Região no PIB nacional e a melhoria das condições de vida da sua população.

Os dirigentes sindicais reafirmaram a exigência do aumento do salários e em particular a exigência de que o salário mínimo nacional atinja, ainda em 2011 os quinhentos euros conforme o acordado entre o governo e os parceiros sociais e possa atingir em 2013 os 600 euros.

O Encontro Sindical Regional assumiu ainda o compromisso de dar combate às tentativas de reduzir autarquias e reduzir os seus trabalhadores e de se empenhar activamente no esclarecimento e na luta contra a privatização água mantendo esse bem público como património de todos.

O Encontro comprometeu-se igualmente a desenvolver todas as lutas necessárias à defesa do emprego com direitos para todos e assumiu a sua frontal oposição a quaisquer tentativas de legislar ou impor a diminuição de direitos aos jovens trabalhadores.

O Encontro Sindical Regional assumiu o compromisso de intensificar as acções necessárias a garantir uma grande participação dos alentejanos/as em todas as iniciativas e lutas que vierem a ser decididas pelo movimento sindical, independentemente das formas que estas vierem a revestir.
O Encontro decidiu que irá desenvolver uma intensa acção de informação e de organização forma a garantir que na Manifestação já marcada para dia 1 de Outubro em Lisboa, o “peso” dos alentejanos e alentejanas seja coincidente com o “peso” dos problemas que nos tem vindo a ser impostos e possam desfilar em Lisboa com um número de participantes que tenha como mínimo o número de participantes na Mega-manifestação de 2009.

O Secetariado Inter-Regional do Alentejo – CGTP-IN

SECRETARIADO INTER REGIONAL REÚNE EM BEJA E PREPARA LUTAS!



1. Apesar da Luta, agrava-se a situação social na Região, alarga-se a pobreza e a exclusão, intensifica-se o desmantelamento do nosso sector produtivo.

Um ano depois de termos reafirmado, no Crato, as enormes potencialidades da Região e reivindicado políticas capazes de as desenvolver e aproveitar, constatamos com indignação mas sem surpresas que foram continuadas e intensificadas as políticas de desastre nacional e de destruição dos condições de vida e de trabalho dos Alentejanos e da Região.

Para quem, de fora, fosse chamado a pronunciar-se sobre a (in)volução verificada e pelo aprofundar da gravíssima crise económica e social então denunciada, poderia vir a concluir que tal se deve ao desenvolver natural duma situação face ao marasmo ou desinteresse dos Alentejanos e Alentejanas.

Seria um profundo erro! Como bem sabemos, nestes 363 dias que medeiam entre o Encontro do Crato e os dias de hoje, milhares de alentejanos e alentejanas (com todos os restantes trabalhadores do país) participaram em inúmeras e grandiosas lutas, entre as quais a greve geral de 24 de Novembro, contribuímos para a derrota das políticas e do Governo de Sócrates aliado à direita política e social, participámos numa campanha eleitoral da qual a direita saiu reforçada e, desde 21 de Junho último, participamos activamente na resistência às tentativas de destruição do aparelho produtivo e dos direitos sociais que ainda mantemos.

2. Potenciar as mais-valias da Região, garantir uma maior atractividade.

Apesar de continuarmos a ter um peso meramente residual no PIB nacional e a perder habitantes e postos de trabalho o Alentejo dispões de potencialidades imensas que, se e quando dispusermos de políticas ajustadas nos colocarão nos patamares de bem estar e de desenvolvimento capazes de garantir uma vida digna para todos quantos aqui vivem e trabalham e ainda dar um contributo muito significativo para o desenvolvimento nacional.

Como todos sabemos (os governantes também o sabem) nesta região que é um terço do território continental podemos encontrar todos os “ingredientes” para o desenvolvimento sustentado e o crescimento exponencial da riqueza:
• Uma vocação agrícola e abundância de solos agrícolas na sua maior parte com possibilidades de serem irrigados através dum amplo conjunto de barragens que cobrem todo os território e de que se destaca Alqueva.
• Um coberto autóctone de azinho e sobro que era em 1995 de 908.200 há.
• Um subsolo rico em minérios, rochas ornamentais e águas minero-medicinais;
• Uma linha de costa de 263 Km que é, reconhecidamente, uma das mais bem preservadas da Europa;

O Alentejo que possui também uma forte tradição industrial: a transformação da lã e da cortiça, a têxtil, a transformação dos granitos, o sector automóvel e mais recentemente a aeronáutica, são disso testemunho.

Por último uma privilegiada localização no contexto ibérico, a enorme riqueza ambiental cultural e patrimonial elegem a região como um potencial destino turístico de qualidade.

Uma linha de costa das mais bem conservadas da Europa, as bacias hidrográficas do Tejo, do Sado e do Guadiana, os Parques naturais da Serra de S. Mamede, do Vale do Guadiana, do Parque Nacional do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, as Reservas Naturais das Lagoas de Santo André e da Sancha e a Reserva Natural do Estuário do Sado, a maior Albufeira artificial da Europa, o rico e bem conservado património construído, a grandiosidade do nosso património cultural imaterial, tem vindo a desencadear uma grande atenção dos operadores turísticos e começa a posicionar-nos como um território de enorme atractividade turística.

Apesar deste enorme potencial o que tem caracterizado a intervenção política dos governos do Centrão político que se têm substituído no poder tem-nos imposto um custo crescente da interioridade da maior parte do nosso território a par de uma profunda incapacidade de aproveitar as enormes potencialidades que nos caracterizam.

Usando e abusando das “desculpas” mais esfarrapadas os governantes e os seus representantes no território fazem “orelhas moucas” às nossas reivindicações e propostas e persistem no aprofundar do desmantelamento do nosso sector produtivo e no sistemático adiar da concretização das infra-estruturas que nos são devidas.

Escondidas por detrás das mais “esfarrapadas” desculpas os detentores do capital e os governos que os representam afadigam-se em retirar à região e aos alentejanos e alentejanas os instrumentos necessários ao potenciar de todas as nossas potencialidades. São as vias rodo-ferroviárias sistematicamente prometidas e adiadas, são os grandes projectos estruturantes como inegavelmente o são o Alqueva, o aeroporto de Beja, a alta-velocidade ferroviária ou a plataforma logístico do Caia (Elvas/Badajoz), são a manutenção de Portalegre como a única cidade capital de distrito que não é servida por auto-estrada.

A ministra da Agricultura veio agora avançar com a possibilidade de novo congelamento da concretização do Alqueva, prevista para 2013, porque, afirmou, não existem os meios financeiros para as concretizar. Antes fora a decisão de não continuarem a construção de auto-estradas tratando-nos (particularmente a Portalegre) em pé de igualdade com as regiões que têm “fartura” de vias rodoviárias enquanto se


mantêm a trapalhada sobre a manutenção ou o fim da construção da linha férrea de alta velocidade entre o CAIA/Elvas e o Poceirão.

É preciso dizer BASTA!

É absolutamente necessário reafirmar a nossa determinação em não aceitarmos o adiar sucessivo das medidas essenciais ao futuro da Região.

É fundamental que o país perceba que é o país que não terá futuro se teimar em prescindir de um terço do território continental.

Para os alentejanos e alentejanas, para o seu movimento sindical, é muito claro que não há mais espaço para o desmantelamento da economia regional e a manutenção do desemprego (flagelo de sempre na região e que só foi travado nos anos da revolução), para o aumento vergonhoso das bolsas de pobreza e de fome que as políticas de classe dos diferentes governos dos patrões tem vindo a impor à Região.

Como sempre têm afirmado e se têm batido, o caminho é o contrário do que tem sido imposto:
• É desenvolvimento da agricultura de regadio e das agro-indústrias que a esta deverão ser associadas;
• É o racional aproveitamento das riquezas do subsolo olhando para o sector mineiro com a atenção que este merece, garantindo a viabilidade do sector da extracção e transformação das rochas ornamentais (os mármores no Alentejo Central e os granitos no Norte Alentejano);
• É o reforço no investimento e na gestão correcta em vez das políticas de encerramento no sector público e em particular na saúde, no ensino e no apoio aos idosos e aos desempregados;
• É a aposta no apoio ao desenvolvimento das indústrias transformadores e em particular nas que acrescentam valor às matérias-primas da região: do alimentar à cortiça, dos vinhos ao meio-ambiente em vez de apoiarem os despedimentos e o desmantelamento e deslocalização de empresas e serviços.

3. O Tempo é de luta!

Os alentejanos/as e o seu movimento sindical tem vindo a desenvolver uma significativa intervenção de resistência e de luta e essa postura tem que ser continuada e intensificada.

É certo que a luta desenvolvida, dentro e fora da região, não nos trouxe até agora resultados imediatos, que aliás sabíamos não serem previsíveis mas é igualmente verdade que foi a luta intensa também aqui e por nós desenvolvida o principal travão aos desvarios da direita politica e social e o factor e a mais eficaz trincheira na defesa dos direitos laborais civilizacionais e humanos que a luta de gerações conseguiu a a revolução colocou na Constituição do país.

Vamos continuar este caminho.

É a nossa história, a história do Alentejo e dos alentejanos/as que nos ensina e garante que o caminho é a luta.

Sempre foi a luta heróica dos oprimidos o principal factor do avanço da humanidade.

Na nossa terra foi igualmente a luta de gerações de alentejanos, homens e mulheres, que tornou possível, que também aqui, a tirania fosse travada e, num curto espaço da nossa história, mostrar ao país e ao mundo que o desemprego, flagelo de sempre desta terra e desta gente, podia ser travado e erradicado, bastando para tal haver a vontade política necessária a por a terra a cumprir o seu papel social.

Será, também agora, a luta dos homens e das mulheres a garantir a derrota das políticas de desastre que querem continuar a impor-nos e a garantir-nos a implementação das medidas capazes de estimular o enorme potencial aqui existente, garantirem o crescimento da riqueza produzida e uma equilibrada distribuição que permita o desenvolvimento económico e social que reclamamos e merecemos.

O Encontro Regional de Quadros Sindicais do Alentejo, da CGTP-IN reunido em Beja a 7 de Setembro de 2011, por convocatória do Secretariado Inter Regional do Alentejo decide:

Reafirmar a exigência de um Plano de Desenvolvimento para o Alentejo que inclua:

a) a concretização da obras do Alqueva nos prazos definidos (2013) e a concretização das albufeiras já há muito assumidas como essenciais para o desenvolvimento da região e a elaboração dos planos que garantam o seu aproveitamento como são os casos das barragens do Crato, sistematicamente adiada e a do Abrilongo já concretizada mas sem qualquer aproveitamento.
b) Um plano de transportes e acessibilidades que garanta as ligações dentro da região e desta com os principais centros do país e da euro-região onde nos inserimos, dando ao sector ferroviário uma grande importância e garantindo a ligação em alta velocidade (para pessoas e mercadorias) do Alentejo com as diferentes regiões da Europa.
c) Medidas capazes de reanimar o sector mineiro e o sector das rochas ornamentais.
d) Uma política de capacitação da indústria e em particular da industria transformadora dos produtos endógenos.

Reafirmar a Educação como pilar estratégico do desenvolvimento que queremos e denunciar as dificuldades e constrangimentos colocados ao Ensino Superior e exigir políticas de ensino baseadas no diálogo com as comunidades educativas e capazes de melhorar as condições de trabalho de quantos a integram e melhorar os resultados e capacitações escolares.

Reafirmar a exigência de políticas que estimulem o crescimento do emprego e assegurem a sua qualidade: estabilidade, horários regulamentados que tenham em conta a vida social e familiar dos trabalhadores e das trabalhadoras, salários dignos que permitam um aumento significativo dos rendimentos das famílias e, por essa via, estimule a procura interna.


Reafirmar a exigência do aumento do salário mínimo nacional para 500 euros, ainda em 2011, conforme o acordado entre o governo e os parceiros sociais.

O Encontro Regional renova a exigência de que sejam anuladas as tentativas de aumentar a precarização do trabalho, embaratecer o despedimento e estimular o encerramento das empresas e implementadas politicas que combatam a precarização do trabalho e valorizem os trabalhadores.

O Encontro Regional Sindical assume o compromisso de combater a redução de Autarquias e a redução dos seus trabalhadores, por forma a garantir a prestação de serviços públicos de qualidade às populações, combater o isolamento e o despovoamento do território, valorizar o Poder Local Democrático e os serviços públicos garantidos pelos seus trabalhadores.

O Encontro Regional Sindical assume o compromisso de combater a anunciada privatização da água, intensificando o esclarecimento e a luta dos trabalhadores e das populações onde seja necessário, contra a privatização deste bem público essencial à vida e património de todos.

Os Encontro Regional Sindical assume o compromisso de continuar a mobilizar os trabalhalhadores/as e as populações para darem continuidade à luta contra as tentativas patronais e governamentais de imporem uma regressão sem limites nos direitos laborais e civilizacionais;

Compromete-se a intensificar a luta em defesa do emprego com direitos para todos, jovens e menos jovens, e assume a sua frontal oposição a quaisquer tentativas de legislar ou impor diminuição de direitos aos jovens trabalhadores.

Assume o compromisso de intensificar as acções necessárias a garantir uma grande participação dos alentejanos/as em todas as iniciativas e lutas decididas pelo Movimento Sindical, independentemente das formas que estas vierem a revestir.

Compromete-se a intensificar a acção sindical em toda a região de forma a que já na Manifestação agendada para o próximo dia 1 de Outubro, o “peso” dos alentejanos e alentejanas seja coincidente com o “peso” dos problemas com que nos debatemos e possam desfilar em Lisboa com um número que no mínimo seja igual ao que participou na mega manifestação de 2009.

PRODUZIR – DESENVOLVER – REGIONALIZAR !
COMBATER O DESEMPREGO, AFIRMAR O ALENTEJO!
É possível e vamos conseguir!

Beja, 7 de Setembro de 2011

O Encontro Sindical Regional do Alentejo