As razões para a Greve GeralNo Norte Alentejano existem sobejas razões para cumprirmos a Greve Geral.
A acrescer às inúmeras razões nacionais importa travar:
1ª. A destruição do tecido produtivo regional e em particular as empresas industriais.
Importa ter presente que o distrito de Portalegre está a ser vítima do encerramento formal, da situação de insolvência, do não pagamento de salários de empresas que no seu conjunto atingem mais de 3.000 famílias em praticamente todos os concelhos do distrito.
AZEMO e GASL em Arronches, Lactogal em Avis, Hotel Garcia d´Orta em Castelo de Vide, Industria extractiva de Granitos e dezenas de comércios em Elvas, Golfe Hotel em Marvão, Ind. Extractiva de Granitos em Monforte, Singranova em Nisa, Delphi/Inlan, Subercentro em Ponte de Sôr, Fino’s, Soc. Corticieria Robinson, Robinson S. A., a Invicar e dezenas de estabelecimentos comerciais em Portalegre, a Enasel em Sousel..
A estas há que juntar o contributo do Estado:
O Encerramento da Maternidade Mariana Martins e do Colégio de Inserção de Vila Fernando bem como a retirada das forças militares do concelho de Elvas; o despedimento de trabalhadoras pela Segurança Social, os despedimentos (chamam-lhes disponíveis) no Ministério da Agricultura e da Justiça, o romance que envolve a escola da GNR em Portalegre.
2ª. O desemprego existente que atinge números insustentáveis.
O desemprego no distrito não pára de aumentar. Estando hoje perigosamente perto dos 10 mil desempregados.
A taxa de desemprego atinge hoje os 15,8% apesar da perda contínua de população activa.
Os números oficiais de desemprego representam já 22% dos trabalhadores por conta de outrem.
3ª. A intenção do governo central em fomentar a pobreza e a exclusão social.
O governo assume-se, no ano internacional de combate à pobreza e à exclusão social como o maior inimigo desse combate.
No Norte Alentejano, uma região onde 60% da população obtém os seus rendimentos directa ou indirectamente do Orçamento de Estado (reformados e pensionistas, funcionários públicos, desempregados subsidiados, beneficiários do RSI) é particularmente visado pela decisão governamental de retirar subsídios às crianças, reduzir as reformas e pensões, reduzir inconstitucionalmente os salários dos trabalhadores da função pública.
4ª. Redução dos orçamentos das IPSS
Seja por não actualização dos montantes por utente e demora na contratualização, seja por aumento dos impostos aplicados.
Numa altura e numa região em que são já diversos os sectores da sociedade a denunciarem os casos de pobreza (visível e escondida) que atinge um número alarmante de famílias e em que dispara o número de famílias a procurarem ajuda junto das diferentes entidades com actividade no território (seg. social, caritas, igreja, autarquias, etc…)
5ª. Cortes brutais nas transferências para as Autarquias Locais
O governo invocando a crise que ele próprio criou (usando o dinheiro de todos para tapar os buracos originados pela incompetência e/ou fraudes de banqueiros sem escrúpulos) decidiu cortes significativos nas transferências para o poder local.
Não tratou todos por igual. Enquanto o corte médio nacional foi de 30 euros por habitante, para o distrito de Portalegre esse corte de verbas correspondeu a 90 euros por habitante.
O mesmo sucede com o investimento inscrito no PIDAC em que para o Distrito de Portalegre receberá apenas 900 mil euros o que é muito menos que os distritos à volta e menos do que é atribuído a um dos concelhos; Portel.
É neste contexto que decidimos, preparámos e iremos cumprir a Greve Geral.
Nesta acção que se iniciou com a ratificação da Greve numa enorme Assembleia comemorativa do 40º aniversário da CGTP-IN forma mobilizados cerca de 50 dirigentes e activistas sindicais – 13 dos quais a tempo inteiro, que contactaram os trabalhadores e trabalhadoras de mais de uma centena de empresas e serviços nos quinze concelhos do distrito:
Em todas as autarquias e em todas as frentes de trabalho, em todos os supermercados, nas Pousadas e hotéis, nas principais empresas industriais e com os trabalhadores das que entretanto encerraram, nas principais unidades de saúde, nas IPSSs e nas escolas, nas finanças e na segurança social, os trabalhadores e trabalhadoras ouviram e discutiram quer as razões quer a importância da greve.
Do trabalho realizado e da reacção encontrada é justo esperar que o resultado irá ser muito positivo.
Sem podermos antecipar-nos aos resultados da Greve não temos dúvidas em afirmar que dia 25 constataremos que muito lixo não foi retirado, que muitos transportes não foram efectuados que na maioria das empresas a laboração não teve lugar, que nos sectores vitais do distrito estabelecimentos de saúde, transportes e outros, o seu funcionamento foi assegurado no âmbito dos serviços mínimos, por trabalhadores em greve.
O QUE ESPERAMOS ALCANÇAR!
Como já por diversas vezes o declarámos esta não é uma luta por satisfação imediata de reivindicações laborais. Esta não e uma qualquer luta laboral que diz respeito apenas aos trabalhadores que a decidiram e irão cumprir.
A Greve Geral de dia 24 de Novembro é no País e em particular no Norte Alentejano uma luta de Todos e para Todos!
A Greve Geral é, vai ser, uma afirmação de que os norte alentejanos/as não baixam os braços nem se rendem perante os crimes contra nós cometidos.
A Greve Geral vai ser:
Uma atitude colectiva de afirmação da vontade em continuar a viver e a trabalhar nesta região.
Uma afirmação da vontade de assumir uma acção reivindicativa mais forte exigindo que parem as politica de marginalização do nosso distrito, pela exigência de que o distrito seja dotado das infra estruturas que só aqui não chegaram: transportes ferroviários deste século circulando em vias electrificadas, a velocidades e com horários que os tornem apetecíveis, uma auto-estrada que sirva a capital do distrito e nos ligue a Elvas e a Badajoz, condições atractivas para os técnicos de saúde que nos faltam, investimento público que funcione com alavanca de desenvolvimento. Politicas que possam potenciar a utilização racional da terra e dos produtos a ela ligados, sejam produtos agro-alimentares sejam produtos turísticos.
A Greve Geral é de Todos e para Todos porque também ela irá reafirmar a nossa posição de território que não é, ao contrário do que afirmam e praticam, um território do interior. O norte alentejano é o território que está na linha da frente da nossa ligação à Europa, o mais próximo dos nossos principais mercados, bem incrustado no triângulo de desenvolvimento ibérico cujos vértices assentam em Sevilha, Lisboa e Madrid.
POR tudo isto porque a Greve Geral é de Todos!
Todos vamos construi-la e cumpri-la!
Viva o Norte Alentejano!
Viva a Greve Geral!
Portalegre, 2010-11-22
A Direcção Regional da USNA/cgtp-in