sábado, 28 de fevereiro de 2009

Dia 8 de Março - Dia Internacional da Mulher



A 8 de Março de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo.

Com a celebração deste dia pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.

Em Portugal, cento e cinquenta e dois anos depois, as mulheres (e os homens) trabalhadoras estão confrontadas com as tentativas de alargamento da jornada de trabalho para níveis parecidos com os que sofriam em 1857 as operárias de Nova Iorque, continuam a ser discriminadas no emprego: no acesso, na carreira, no salário; são as principais vítimas dos despedimentos e do desemprego.
Por estas razões a celebração do Dia Internacional da Mulher será em Portugal e também no Norte Alentejano a afirmação da disponibilidade e vontade de continuar a luta por um Mundo Melhor que começa por tornar melhor o nosso dia a dia, o nosso distrito e o nosso país.
Por isso o dia 8 de Março será, também no Norte Alentejano, um dia de mobilização para a luta e em particular para a participação na grande manifestação nacional convocada pela CGTP para Lisboa, a 13 de Março.

USNA/cgtp-in SAÚDA INICIATIVA PARLAMENTAR SOBRE A FISCALIZAÇÃO CONSTITUCIONAL DO CÓDIGO DO TRABALHO




A União dos Sindicatos do Norte Alentejano, desde o inicial conhecimento da proposta de revisão do Código do Trabalho, que afirmou que a mesma continha várias disposições inconstitucionais.
Mesmo quando o Senhor Presidente da República enviou para o Tribunal Constitucional a versão aprovada, insistimos em que havia mais conteúdos inconstitucionais, designadamente em matéria de contratação colectiva, de organização do tempo de trabalho e conciliação com a vida familiar.
Daí que a iniciativa do PCP, partilhada por deputados do BE e por deputados socialistas, sociais-democratas e independentes, de requerer a fiscalização sucessiva da constitucionalidade do Código do Trabalho, mereça o nosso apoio e satisfação.
A USNA/cgtp-in saúda cada um dos deputados pelo seu compromisso com os valores constitucionais e com esta causa dos trabalhadores e reafirma o seu cumpromisso em continuar a mobilizar os trabalhadores do distrito para, também na rua e nos locais de trabalho, continuarem a exigir que o Código seja expurgado de todas as inconstitucionalidades.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

É fundamental exigir uma viragem nas políticas e no modelo de sociedade em que vivemos.



Um aspecto fundamental a reter da recente declaração do Governador do Banco de Portugal é que a crise deriva de uma quebra generalizada da procura. Na situação portuguesa, se as dificuldades mais imediatas derivam da quebra do investimento privado e da redução das exportações não se pode esquecer as vulnerabilidades resultantes de políticas que menosprezaram o desenvolvimento do sector produtivo, com consequências desastrosas na balança comercial, privilegiaram a convergência nominal da economia e a chamada consolidação orçamental, em detrimento da produtividade e do emprego.

A situação do país tem como pano de fundo uma sociedade profundamente desigual e em que as desigualdades se reproduzem e acentuam; um mercado de trabalho desregulamentado com uma elevada precariedade que se tornou um cancro social; um Código de Trabalho que pretende a eliminação dos direitos dos trabalhadores – e que o Governo procura manter e agravar –, através da caducidade das convenções colectivas.

O agravamento do desemprego constitui o maior risco, a que é preciso dar resposta. Entretanto é necessário ter presente que as políticas de baixos salários e baixas pensões reduziram a procura interna, contribuindo para o encerramento de centenas de micro e pequenas empresas e para o aumento do desemprego.

A contenção dos salários (leia-se redução real das retribuições do trabalho) que o patronato pretende atingir, com fundamento na recessão e na redução da inflação, apenas agravaria a crise. Grande parte dos problemas das empresas médias, pequenas e micro resultam, exactamente, da errada matriz de desenvolvimento que tem sido seguida, da destruição de grandes empresas do sector produtivo, dos custos do crédito e das dificuldades em lhe aceder, de custos com energia, comunicações e funções burocráticas da Administração Pública. As pequenas empresas sofrem ainda efeitos dum excesso de grandes superfícies do comércio, instaladas no contexto de jogos de interesses muito complicados.

Nos últimos anos, o Governo exigiu pesados sacrifícios aos trabalhadores e a outras camadas da população para atingir as suas metas no que diz respeito ao deficit orçamental. Agora, com as disponibilidades financeiras daí resultantes apoia o sector financeiro, sector esse que, enquanto os trabalhadores faziam sacrifícios, viveu em grande especulação, permitindo aos capitalistas arrecadarem somas fabulosas de lucros e aos seus gestores enriquecem escandalosamente. Foi-lhes permitido tudo, desde pagarem menos impostos que o sector produtivo, até fazerem negócios sujos, e também monumentais manipulações contabilísticas.

Mais do que em qualquer outro período, a transparência das contas do Estado tem que ser assegurada. O Governo está a financiar empresas de diversos sectores, em nome da manutenção do emprego, com duvidosos critérios. Essa prática está a propiciar que diversos sectores patronais oportunistas desencadeiam uma autêntica campanha de saque ao Estado.

Há empresas de portugueses e de estrangeiros que ao longo das duas ultimas décadas receberam volumes imensos de dinheiro, muitas vezes mal utilizado, mas que permitiu o enriquecimento de muitos empresários.

Não se resolvem os problemas actuais atirando mais dinheiro para cima desses problemas, e colocando esse dinheiro, sem controle, nas mãos carregadas de cola, daqueles que beneficiando da situação, ao longo dos anos, acabaram por provocar mais problemas.

A CGTP-IN reafirma a importância da mobilização de recursos para o investimento público (que se for adequado gerará salários) e para apoio à defesa e promoção do emprego. Por isso as prioridades desse investimento têm que ser orientadas para a estrutura produtiva, para a realização de infra-estruturas e de produção de bens e serviços úteis ao desenvolvimento da sociedade portuguesa, e não para recompor o sector financeiro e a sua vertente especulativa, assim como, as fortunas dos grandes capitalistas.
Cuidar do Orçamento do Estado. Melhorar as condições de vida do povo português.
As medidas concretas a adoptar não se esgotam em propostas de aumento de despesa. É preciso obter receitas, incluindo receitas fiscais provenientes de uma tributação mais progressiva e da tributação da riqueza, com vista a preservar o futuro.
A CGTP-IN é particularmente crítica a reduções de receitas públicas e, em particular, de contribuições sociais. O país tem elevadas necessidades sociais resultantes de um baixo nível de vida, de uma elevada participação da população ter um baixo grau de protecção social, de a população estar a envelhecer, de as desigualdades sociais serem muito fortes. A redução dos meios do Estado significa objectivamente o enfraquecimento do Estado Social e a desprotecção social de uma parte significativa da população.
Para a CGTP-IN é fundamental a ruptura com as políticas seguidas e a implementação de uma nova política que tenha como referência os trabalhadores e outras camadas desfavorecidas da população.

Dia 13 de Março, em Lisboa. Lá nos encontraremos.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O GOVERNO AUMENTOU AS TAXAS MODERADORAS



Foi hoje publicada a portaria nº 34/2009 que revê o valor das taxas moderadoras para entrar em vigor no dia 1 de Fevereiro.

Para a esmagadora maioria dos trabalhadores e suas famílias e pensionistas que não são abrangidos pelo regime de isenção, estes aumentos, decididos pelo Governo, vêm agravar os custos, já bastante elevados, com a saúde.

Tanto mais que, Portugal é dos países onde os utentes mais gastam directamente com a saúde, e que se agrava, com os condicionalismos no acesso ao S.N.S., por encerramento de cuidados de saúde, efectuados por este Governo, nomeadamente nas zonas do interior do País e, ainda, pela descomparticipação nos medicamentos.

As taxas moderadoras das consultas, urgências e de meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica são significativamente elevadas e os utentes do S.N.S., seja no caso de repararem a doença ou na prevenção da sua saúde, necessitam de recorrer a diversos meios de diagnóstico e terapêutica, e a sua soma representa montantes já bastante significativos.

Por outro lado, o agravamento anual das taxas moderadoras contraria o disposto no artigo 64º da C.R.P., em que refere que o direito à saúde é realizado através de um S.N.S. universal, geral e tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito, mas o que temos vindo a assistir é que as políticas seguidas contrariam este princípio.

Tanto para os trabalhadores como para os reformados e pensionistas que têm rendimentos baixos, mas que estão excluídos do regime de isenção, estes custos significam pesados encargos, o que torna a situação extremamente injusta e pode constituir um obstáculo no acesso aos cuidados de saúde por razões de ordem económica. E mais, este aumento a par de outros aumentos de bens essenciais, estão a anteceder aos aumentos salariais da maioria dos trabalhadores, agravando as condições de vida das famílias.