Jornada Nacional de Luta em defesa
do Serviço Nacional de Saúde
ENCONTRO COM A COMUNICAÇÂO SOCIAL
A Saúde é um bem fundamental e um elemento fundamental para
se alcançarem elevados níveis civilizacionais.
A forma de organização dos cuidados de saúde evoluiu até se
atingirem estruturas hierarquizadas e coordenadas que em Portugal se designaram
de Serviço Nacional de Saúde. Por ser uma estrutura pública e de grande
penetração na população portuguesa, sempre sofreu a cobiça dos privados
interessados em amealharem o mais que pudessem dessa necessidade que é a saúde.
Os liberais não perderam tempo e iniciaram o processo de desmantelamento do SNS
e se é verdade que para o país esta opção é altamente lesiva do interesse
nacional, para o Alentejo é catastrófica.
No Alentejo, a maior região em área geográfica e a menos
populosa no que à demografia diz respeito, as mesmas medidas, brutais em todo o
país, poderão assumir proporções catastróficas, levando à morte por falta de
assistência médica, milhares de idosos.
Senão vejamos: as extensões encerradas são aquelas mais
isoladas e com menos habitantes servidos, o que deixará ainda mais isolados os
que já de poucos meios disporiam; a região do Alentejo não é servida por uma
rede de transportes públicos que permita sequer, a ligação entre as principais
cidades quanto mais entre pequenas vilas e lugarejos e as principais unidades
hospitalares, deixando à mercê quem não tiver meios económicos para pagar táxis
ou outros meios privados de transporte para uma consulta ou uma urgência.
Além do mais, esta é uma das regiões mais empobrecidas e
envelhecidas do país, criando uma bolsa de utentes crónicos das urgências
hospitalares, cuja taxa moderadora foi entretanto aumentada para valores
dificilmente suportáveis por esta população, o que só seria evitável se os
cuidados de saúde primários abrangessem toda a população. Ora é precisamente a
estes que o acesso será restringido.
Nos grandes centros o encerramento de uma urgência ou centro
de saúde, ainda que profundamente contrário aos nossos princípios, poderá ser
colmatado com o desvio para outro a 10 minutos ou 5 km de distância. Mas no
Alentejo é muito diferente. O próximo hospital poderá ficar a mais de 60 ou 70 Km!
Outro exemplo da politica centralizadora deste Governo e
descriminadora das populações mais isoladas é que na reorganização da rede de
urgências hospitalares, a urgência de Évora é desclassificada para urgência
médico-cirúrgica, o que obrigará alguns doentes de todo o Alentejo a terem de
se deslocar para as urgências de S. José ou Santa Maria, em vez de se
deslocarem até Évora.
As populações têm de lutar pelo SNS sob pena de virem a
chorar e a lamentar-se quando já for tarde de mais.
A hora é de lutar pelo que sentimos que é justo e contra
estas políticas de isolamento e de esquecimento do interior.
Portalegre, 2012-04-13