
Na sequência dos protestos de sindicatos e trabalhadores que, nas últimas semanas, reivindicaram junto do executivo e, principalmente, da oposição a aplicação da opção gestionária que pressupõe o aumento salarial de meia centena de trabalhadores, foi aprovada uma proposta que respondeu não só a esse, mas ainda a outros anseios de vários funcionários da autarquia que, em uníssono, garantiram que "vale a pena lutar".
No dia 20 de Janeiro, cerca de meia centena de trabalhadores, acompanhados pelo Sindicato de Trabalhadores da Administração Local (STAL) manifestaram junto aos Paços do Concelho (e na reunião camarária), o facto de a oposição, composta por dois eleitos do PS e um do PSD, terem reprovado a aplicação da opção gestionária e ainda a criação de postos de trabalho no Mapa de Pessoal.
Consequentemente, e depois de uma acesa discussão político-partidária, a aprovação do Orçamento para 2010 e as Grandes Opções do Plano foi adiada e a oposição comprometeu-se a ouvir os sindicatos.
Esta quarta-feira, sindica-tos e trabalhadores voltaram a "atacar" e apresentaram-se, mais uma vez, na reunião camarária. Felizmente para todos eles, o resultado foi bem mais positivo que na anterior.
Apesar de algumas picardias políticas, foi mesmo aprovada, com os votos da CDU e PSD, face às abstenções do PS, uma proposta dos eleitos da CDU, apresentada pela autarca nisense. Os eleitos do PS reagiram, alegando que a proposta deveria ter sido entregue com antecedência, mas a verdade é que a moção foi mesmo aprovada.
De salientar que, ainda antes de apresentar o seu voto a favor, a eleita pelo PSD, Fernanda Policarpo fez questão de propor o aumento do orçamento destinado à alteração de posicionamento remuneratório por opção gestionária de 34 para 40 mil euros, e ainda uma verba de 10 mil euros destinada ao pagamento de prémios de desempenho. A proposta foi aceite pelos eleitos da CDU que rectificaram a ideia inicial nesses dois pontos.
A resolução do problema agradou aos trabalhadores que, já na rua, não esconderam o seu ânimo, defendendo que "vale a pena lutar".
A satisfação dos trabalhadores perante uma proposta que, na verdade, coincidiu desde sempre com as pretensões dos eleitos da CDU levou a que, no final, Gabriela Tsukamoto se mostrasse orgulhosa por esta "prova de que o bom senso, a transparência e o rigor conseguem chegar sempre a bom porto".
"Foi assim que, ao longo de oito anos, consegui trabalhar com a oposição e resta-me agradecer à vereadora Fernanda Policarpo a disponibilidade revelada nos últimos dias para nos ajudar a ultrapassar esta situação. Podem contar com todos os eleitos, independentemente das posições diferentes que nos regem a todos", frisou a autarca.
António Carreiras, coordenador do STAL, explicou aos jornalistas "as conquistas dos trabalhadores".
"A Câmara aprovou a opção gestionária para 2010 para todos os trabalhadores que, com avaliação de 2009, reúnem os requisitos previstos no sistema de avaliação" (…) "em relação aos mapas de pessoal, defendíamos que todos os trabalhadores cujo contrato tinha duração superior a cinco anos constituíssem uma obrigatoriedade para a autarquia em abrir um concurso para preenchimento dos lugares em termo indeterminado e essa situação foi também ultra-passada (…) "em relação a um trabalhador que foi transferido de outra autarquia para a de Nisa e está em mobilidade interna até Março, conseguimos que a autarquia prorrogasse essa mobilidade até Dezembro de 2010" (….) e havia uma outra situação relacionada com a mobilidade inter-carreira de um trabalhador que, por via do desempenho e habilitações que adquiriu, deveria ser posicionado numa noutra carreira. Também essa situação foi viabilizada", enumerou.
Mesmo consciente que a proposta ainda terá de passar pela aprovação da Assembleia Municipal, o sindicalista congratulou-se pelo facto de a resposta do executivo ir ao encontro dos anseios dos trabalhadores, e mostrou-se confiante na "coerência" dos eleitos do PSD na Assembleia Municipal.
A luta continua
Em conversa com os jornalistas, António Carreiras confidenciou ainda que, no final de Janeiro, à semelhança do que se passou em Nisa, os trabalhadores da autarquia de Fronteira também participaram na reunião camarária.
"Fizeram a exigência da opção gestionária e houve também a garantia do presidente da Câmara que até Abril irá ponderar e avaliar os custos, e assumiu que serão feitos pagamentos com retroactividade a Janeiro. Vamos estar atentos e acompanhar para saber se corresponde às exigências dos trabalhadores", frisou, dando ainda os exemplos de Marvão e Portalegre, onde os sindicatos poderão agir brevemente.
Textos: André Relvas
Artigo e fotos publicadosno jonal Fonte Nova