terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Os trabalhadores da mina de Neves-Corvo (Castro Verde) iniciaram hoje uma greve, reivindicando um aumento no subsídio de fundo



Os trabalhadores da mina de Neves-Corvo começaram hoje uma greve de duas horas no início de cada turno e por tempo indeterminado para reivindicarem um aumento no subsídio de fundo, adiantou à Agência Lusa Jacinto Anacleto, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM).
Jacinto Anacleto referiu que os trabalhadores da concessionária da mina, a Somincor, que aderirem à greve vão parar "duas horas por dia no início de cada turno", às 06.00, 08:00, 14:00 e 22:00.
"Nos dois primeiros turnos de hoje, o das 06:00 e das 08:00, a adesão à greve por parte dos trabalhadores da mina ultrapassou os 90 por cento. Quase todos os trabalhadores do fundo da mina fizeram greve, à excepção das chefias", adiantou o dirigente sindical.
Esta adesão "superou as expectativas" do sindicato, segundo Jacinto Anacleto, que previu "uma boa adesão" para os outros dois turnos de hoje.
"Só os trabalhadores administrativos e as chefias da mina é que não aderiram à greve", adiantou Jacinto Anacleto, que indicou estar "tudo a decorrer de forma pacífica, pois não queremos confusões".
"Com uma greve de duas horas no início de cada turno e por tempo indeterminado, a empresa acaba por parar visto que o minério não chega à superfície", salientou.
A "principal reivindicação", explicou, é "o aumento de cem euros no subsídio de fundo", que é atribuído aos trabalhadores que trabalham no fundo da mina, "a cerca de 700 metros de profundidade, um trabalho muito penoso, onde os trabalhadores estão expostos a temperaturas elevadas, humidades excessivas, gases, fumos, poeiras e riscos de derrocadas".
As outras reivindicações que abrangem todos os trabalhadores, explicou, são "o pagamento dos 50 por cento em falta da compensação do dia de Santa Bárbara" de 2009 e "a garantia do pagamento da compensação na totalidade este ano e nos próximos anos".
A Somincor informou hoje, em comunicado, que os trabalhadores "exigem aumentos salariais na ordem dos 17 por cento sobre o salário base", e que a Administração "rejeitou a reivindicação e fará todos os esforços para reduzir o efeito da greve".
A Somincor tem cerca de 900 trabalhadores e produz mais de dois milhões de toneladas de cobre em bruto, por ano.
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“Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%”



O presidente da AMI, Fernando Nobre, criticou hoje a posição das associações patronais que se têm manifestado contra aumentos no salário mínimo nacional. Na sua intervenção no III Congresso Nacional de Economistas, Nobre considerou "completamente intolerável" que exista quem viva "com pensões de 300 ou menos euros por mês", e questionou toda a plateia se "acham que algum de nós viveria com 450 euros por mês?"
Numa intervenção que arrancou aplausos aos vários economistas presentes, Fernando Nobre disse que não podia tolerar "que exista quem viva com 450 euros por mês", apontando que se sente envergonhado com "as nossas reformas".
"Os números dizem 18% de pobres... Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforça e outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha..." disse ainda.
"Quando oiço o patronato a dizer que o salário mínimo não pode subir.... algum de nós viveria com 450 euros por mês? Há que redistribuir, diminuir as diferenças. Há 100 jovens licenciados a sair do país por mês, enfrentamos uma nova onda emigratória que é tabu falar. Muitos jovens perderam a esperança e estão à procura de novos horizontes... e com razão", salientou Fernando Nobre.
O presidente da AMI, visivelmente emocionado com o apelo que tenta lançar aos economistas presentes no Funchal, pediu mesmo que "pensem mais do que dois minutos em tudo isto".
Para Fernando Nobre "não é justo que alguém chegue à sua empresa e duplique o seu próprio salário ao mesmo tempo que faz uma redução de pessoal. Nada mais vai ficar na mesma", criticou, garantindo que a sociedade "não vai aceitar que tudo fique na mesma".
No final da sua intervenção, Fernando Nobre apontou baterias a uma pequena parte da plateia, composta por jovens estudantes, citando para isso Sophia de Mello Breyner. "Nada é mais triste que um ser humano mais acomodado", citou, virando-se depois para os jovens e desafiando-os: "Não se deixem acomodar. Sejam críticos, exigentes. A vossa geração será a primeira com menos do que os vossos pais".
Fernando Nobre ainda atacou todos aqueles que "acumulam reformas que podem chegar aos 20 mil euros quanto outros vivem com pensões de 130, 150 ou 200 euros... Não é um Estado viável! Sejamos mais humanos, inteligentes e sensíveis".

Publicado pelo Alvitrando

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A LUTA VALE SEMPRE A PENA...



Na sequência dos protestos de sindicatos e trabalhadores que, nas últimas semanas, reivindicaram junto do executivo e, principalmente, da oposição a aplicação da opção gestionária que pressupõe o aumento salarial de meia centena de trabalhadores, foi aprovada uma proposta que respondeu não só a esse, mas ainda a outros anseios de vários funcionários da autarquia que, em uníssono, garantiram que "vale a pena lutar".

No dia 20 de Janeiro, cerca de meia centena de trabalhadores, acompanhados pelo Sindicato de Trabalhadores da Administração Local (STAL) manifestaram junto aos Paços do Concelho (e na reunião camarária), o facto de a oposição, composta por dois eleitos do PS e um do PSD, terem reprovado a aplicação da opção gestionária e ainda a criação de postos de trabalho no Mapa de Pessoal.
Consequentemente, e depois de uma acesa discussão político-partidária, a aprovação do Orçamento para 2010 e as Grandes Opções do Plano foi adiada e a oposição comprometeu-se a ouvir os sindicatos.

Esta quarta-feira, sindica-tos e trabalhadores voltaram a "atacar" e apresentaram-se, mais uma vez, na reunião camarária. Felizmente para todos eles, o resultado foi bem mais positivo que na anterior.

Apesar de algumas picardias políticas, foi mesmo aprovada, com os votos da CDU e PSD, face às abstenções do PS, uma proposta dos eleitos da CDU, apresentada pela autarca nisense. Os eleitos do PS reagiram, alegando que a proposta deveria ter sido entregue com antecedência, mas a verdade é que a moção foi mesmo aprovada.

De salientar que, ainda antes de apresentar o seu voto a favor, a eleita pelo PSD, Fernanda Policarpo fez questão de propor o aumento do orçamento destinado à alteração de posicionamento remuneratório por opção gestionária de 34 para 40 mil euros, e ainda uma verba de 10 mil euros destinada ao pagamento de prémios de desempenho. A proposta foi aceite pelos eleitos da CDU que rectificaram a ideia inicial nesses dois pontos.
A resolução do problema agradou aos trabalhadores que, já na rua, não esconderam o seu ânimo, defendendo que "vale a pena lutar".

A satisfação dos trabalhadores perante uma proposta que, na verdade, coincidiu desde sempre com as pretensões dos eleitos da CDU levou a que, no final, Gabriela Tsukamoto se mostrasse orgulhosa por esta "prova de que o bom senso, a transparência e o rigor conseguem chegar sempre a bom porto".

"Foi assim que, ao longo de oito anos, consegui trabalhar com a oposição e resta-me agradecer à vereadora Fernanda Policarpo a disponibilidade revelada nos últimos dias para nos ajudar a ultrapassar esta situação. Podem contar com todos os eleitos, independentemente das posições diferentes que nos regem a todos", frisou a autarca.
António Carreiras, coordenador do STAL, explicou aos jornalistas "as conquistas dos trabalhadores".
"A Câmara aprovou a opção gestionária para 2010 para todos os trabalhadores que, com avaliação de 2009, reúnem os requisitos previstos no sistema de avaliação" (…) "em relação aos mapas de pessoal, defendíamos que todos os trabalhadores cujo contrato tinha duração superior a cinco anos constituíssem uma obrigatoriedade para a autarquia em abrir um concurso para preenchimento dos lugares em termo indeterminado e essa situação foi também ultra-passada (…) "em relação a um trabalhador que foi transferido de outra autarquia para a de Nisa e está em mobilidade interna até Março, conseguimos que a autarquia prorrogasse essa mobilidade até Dezembro de 2010" (….) e havia uma outra situação relacionada com a mobilidade inter-carreira de um trabalhador que, por via do desempenho e habilitações que adquiriu, deveria ser posicionado numa noutra carreira. Também essa situação foi viabilizada", enumerou.

Mesmo consciente que a proposta ainda terá de passar pela aprovação da Assembleia Municipal, o sindicalista congratulou-se pelo facto de a resposta do executivo ir ao encontro dos anseios dos trabalhadores, e mostrou-se confiante na "coerência" dos eleitos do PSD na Assembleia Municipal.

A luta continua

Em conversa com os jornalistas, António Carreiras confidenciou ainda que, no final de Janeiro, à semelhança do que se passou em Nisa, os trabalhadores da autarquia de Fronteira também participaram na reunião camarária.

"Fizeram a exigência da opção gestionária e houve também a garantia do presidente da Câmara que até Abril irá ponderar e avaliar os custos, e assumiu que serão feitos pagamentos com retroactividade a Janeiro. Vamos estar atentos e acompanhar para saber se corresponde às exigências dos trabalhadores", frisou, dando ainda os exemplos de Marvão e Portalegre, onde os sindicatos poderão agir brevemente.


Textos: André Relvas
Artigo e fotos publicadosno jonal Fonte Nova

De novo na rua...eram muitos muitos mil!



A manifestação dos trabalhadores da Administração Pública que levou às ruas milhares de pessoas, esta sexta-feira, chegou ao fim com Carvalho da Silva a dizer que o Governo deveria abrir milhares de vagas para dar emprego aos jovens desempregados.

Num protesto pelo congelamento dos salários da Função Pública, o secretário-geral da CGTP exigiu, de acordo com a Renascença, mais postos de trabalhos, tanto nas empresas privadas como nas públicas.

A líder da Frente Comum, Ana Avoila, comparou o «aumento zero» proposto pelo Estado para estes trabalhadores com o aumento em 3 por cento, para as despesas de viagens e de hotéis dos membros do Governo. 19:56 - 05-02-2010