O Governo do PSD-CDS confirmou na reunião da CPCS, realizada no dia 22 de Dezembro, a intenção de retirar 3 dias de férias aos trabalhadores.
Com esta proposta, o Governo ultrapassou as expectativas do próprio patronato, nomeadamente o do Comércio que, manifestando-se “contra” o aumento do horário de trabalho em 30 minutos diários, reclamava como alternativa a redução do número de dias de férias e de feriados.Assim, de uma assentada, o Governo quer premiar o grande patronato com o aumento do horário de trabalho sem acréscimo de retribuição, reduzir 4 feriados e 3 dias de férias. Na prática, quer pôr os trabalhadores a trabalhar, gratuitamente, 1 mês por ano.
Esta é uma política de terrorismo social. Por este caminho não tardaria que os trabalhadores tivessem de pagar para trabalhar.
Como é evidente, estas propostas não só são questionáveis constitucionalmente, como põem em causa o “trabalho digno”, defendido pela OIT.
Acresce que o Governo ao anunciar a suspensão das portarias de extensão, está a dar um sinal claro ao patronato para apostar no bloqueio da contratação colectiva e boicotar o aumento dos salários para o próximo ano.
Tal como as restantes, estas são posições que encaminham as relações de trabalho para um retrocesso social e civilizacional que precisam de ser denunciadas e combatidas por todos os meios ao nosso dispor.
Perante este programa de agressão aos direitos mais elementares dos trabalhadores, a CGTP-IN retirou-se da reunião assumindo que, como sempre, está disponível para, pela via da negociação, inclusive a bilateral, encontrar saídas que respeitem e valorizem os trabalhadores e os seus direitos. Mas que não aceita imposições nem políticas que conduzam os trabalhadores para a pobreza, e o país para o precipício.
É uma posição de classe que honra quem a tomou e merece o respeito e apoio da União dos Sindicatos do Norte Alentejano.
A União dos Sindicatos do Norte Alentejano entende que em vez do “kit” da emigração, há que avançar com o “kit” da contestação e da instabilização do patronato, em todos os locais de trabalho dos sectores privado e público.
É neste contexto, que reafirmamos o apelo a todo o MSU do distrito, no sentido de preparar, desde já, a resposta a esta ofensiva sem precedentes, nomeadamente com a intensificação do esclarecimento, mobilização e luta dos trabalhadores, a partir do início de Janeiro.
A Comissão Executiva da USNA/cgtp-in




