sexta-feira, 29 de junho de 2012

NÃO TE RENDAS!


NÃO TE RENDAS!
Defende a ADSE!
«Nos últimos dias têm sido levantadas na comunicação social várias questões sobre a
Proteção Social aos Trabalhadores em Funções Públicas (ADSE) e a sua relação com o
Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o setor privado, que merecem os seguintes esclarecimentos.

Sexta-feira dia, 14 de junho, a revista visão, publica um artigo que relança o tema na Opinião Pública, no domingo seguinte o Ministro da Saúde, confirma que vai introduzir alterações na ADSE. Este esquema  tem sido utilizado pelos governos do PS do PSD com ou sem o CDS, 1º cria-se um sentimento de "inveja" em quem não usufrui directamente da da ADSE e provoca-se a divisão nos trabalhadores, depois confirma-se a medidas para acabar com a "injustiça".

Os trabalhadores da Administração Pública lutarão pela defesa da ADSE, que tem sido um travão a uma maior degradação, designadamente financeira, do imprescindível Serviço Nacional de Saúde.»
Também no Norte Alentejano assim será.

A defesa da ADSE estará presente na acção de desassossego que sob o Lema " NÃO TE RENDAS" precorrerá todo os distrito.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

MANIFESTAÇÃO CONTRA A EXPLORAÇÃO E EMPOBRECIMENTO

PELA DEFESA DA DEMOCRACIA. POR UM PORTUGAL DESENVOLVIDO E SOBERANO

CONTRA A EXPLORAÇÃO E O EMPOBRECIMENTO

SALÁRIOS, EMPREGO, DIREITOS E SERVIÇOS PÚBLICOS




RESOLUÇÃO

     A situação de grave crise económica que o país está a viver e as suas consequências, no plano social, que os trabalhadores e o povo português estão a sofrer, não é obra do acaso. A ofensiva capitalista prosseguida pelos sucessivos governos nos últimos 35 anos, assente na destruição de sectores produtivos, no desaproveitamento dos recursos nacionais e na alienação de empresas e sectores estratégicos, consubstanciam a posição ideológica de uma classe que despreza e submete os interesses de Portugal aos objectivos e interesses particulares dos grupos económicos e financeiros, nacionais e estrangeiros e, por isso, está na origem dos gravíssimos problemas que o país hoje enfrenta, designadamente a estagnação e recessão económicas, o desemprego, a dependência externa e os défices estruturais, o empobrecimento das famílias e o défice público.
      Com a aplicação das medidas de austeridade decorrentes do acordo de entendimento entre a tróica portuguesa e a tróica estrangeira, agravaram-se os problemas económicos do país e intensificaram-se, com particular violência, os ataques contra os direitos laborais e sociais dos trabalhadores, dos jovens, dos reformados e da população em geral.
      Depois de um ano de governação do PSD/CDS-PP, tudo está, hoje, muito pior. A economia nacional está asfixiada, com o investimento em queda contínua, o mercado interno em retracção e a dívida pública a subir para níveis incomportáveis. Cresce todos os dias o número de encerramentos e falências e voltaram os salários em atraso em muitas outras empresas.
      O desemprego constituiu-se numa verdadeira calamidade social, com mais de 1,2 milhões de desempregados, dos quais 36% são jovens trabalhadores e 800 mil não têm qualquer protecção social. A quebra brutal dos salários e o aumento insuportável do custo de vida colocou mais de três milhões de portugueses na extrema miséria ou em situação de grave carência económica. Para milhares de famílias a vida diária tornou-se uma tragédia.
       Os sacrifícios decorrentes das medidas de austeridade impostas aos trabalhadores e ao povo não serviram param nada; não resolveram nenhum dos graves problemas do país e antes agravaram todos os males e infernizaram a vida dos portugueses.  
      O ataque às funções sociais do Estado (Segurança Social, Saúde, Educação), através de cortes orçamentais “cegos” e “reestruturações” comandadas pelo ódio ao património público, estão a destruir direitos fundamentais que enformam a construção de uma sociedade democrática, justa e progressista. Também o ataque ao Poder Local Democrático, com a extinção de freguesias e a consequente eliminação de serviços públicos de proximidade, complementado com a retirada de meios financeiros, essenciais ao funcionamento e autonomia das Autarquias, vai impor mais um saque aos rendimentos das famílias, devido ao aumento de todas as taxas, tarifas e impostos locais.
        E tudo isto, num momento em que PSD e CDS aprovaram na AR uma lei das rendas de habitação, que mais não é que uma “lei de despejos”, pois que, com esta lei, centenas de milhares de famílias expostas ao desemprego e à perda de rendimentos, encontram-se agora ainda com mais dificuldades e à beira de perder um dos bens mais preciosos, que é o direito à habitação.
        A política de direita subverte, desta forma, os ideais, direitos e garantias alcançados com a instauração do regime democrático e é, portanto, inseparável do confronto com a Constituição da República Portuguesa. 
        As alterações da legislação laboral decididas pelo governo para os trabalhadores da Administração Pública, quer as que foram recentemente aprovadas na AR, para o sector privado, pelos partidos do governo (PSD/CDS-PP), com a abstenção do PS e o aplauso do grande patronato, constituem um inaceitável retrocesso social e civilizacional. Marcadas por inúmeras inconstitucionalidades, as alterações contidas na revisão do código do trabalho, se fossem postas em prática nas empresas, resultariam em mais exploração, desemprego, empobrecimento e perda de direitos, razão pela qual é legítimo reclamar do Presidente da República que honre o juramento, feito na tomada de posse, de cumprir e fazer cumprir a CRP.
       A crise que estamos a viver tem causas e tem responsáveis. É causada pela política de direita que emana da ideologia ultraliberal e resulta da acção dos sucessivos governos que têm imposto essa política aos trabalhadores, ao povo e ao país, ao mesmo tempo que colocam o Estado ao serviço dos interesses dos grupos económicos e financeiros.
        Entretanto, o governo e a tróica já estão a preparar a opinião pública para a aplicação de medidas ainda mais drásticas, com particular incidência no abaixamento dos salários, na desregulamentação do trabalho e no esvaziamento da contratação colectiva.
        Só a ruptura com este sistema, pode impedir o prosseguimento destas políticas ruinosas e permitir que se abra um novo caminho que tenha como horizonte o desenvolvimento e o crescimento económico, a valorização do trabalho e dos direitos dos trabalhadores, a estabilidade no emprego e o combate às desigualdades existentes, a afirmação de uma sociedade de progresso e de futuro, mais humanizada e com mais justiça social.
       Os participantes nesta grande Manifestação, em Lisboa, conscientes que a luta por uma nova política constitui uma necessidade e uma prioridade dos trabalhadores e do povo, aqui reafirmam:

·   Que a luta prosseguirá no imediato com as manifestações dos trabalhadores da função pública, no próximo dia 22, em Lisboa, mas também, nos sectores, empresas, serviços e em todos os locais de trabalho, numa luta sem tréguas no combate à precariedade nos vínculos laborais e pelo aumento dos salários, incluindo o salário mínimo nacional; pela defesa e melhoria dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, bem como dos direitos laborais e sociais dos trabalhadores; contra o trabalho forçado, o ataque à contratação colectiva e a todas as medidas de retrocesso social e civilizacional que o Governo e o patronato querem impor aos trabalhadores, ao povo e ao país;

·   A exigência da renegociação da dívida, dos prazos e dos juros, por uma política de desenvolvimento que promova o crescimento económico e a criação de emprego com direitos; o aumento das pensões de reforma e protecção social para todos os desempregados; a revogação dos cortes nas prestações sociais que agravam a vida das famílias e a reposição dos subsídios de férias e de natal a todos os trabalhadores;

·   O seu empenhamento no reforço da unidade na acção de todos os trabalhadores, a partir dos locais de trabalho, de forma a convergir em respostas cada vez mais amplas e fortes, contra a austeridade, a exploração, a pobreza e o empobrecimento, por um novo rumo para Portugal.

MUDAR DE POLITICA







Lisboa, 16 de Junho de 2012

domingo, 17 de junho de 2012

CONTRA O EMPOBRECIMENTO DO PAÍS E DO POVO!




16 de Junho em Lisboa, com muitos milhares de outros e outras, os trabalhadores e trabalhadoras do Norte Alentejano, reafirmaram o compromisso de resistirem às politicas de desastre.

A partida, dos vários concelhos do distrito, deu-se às 7,30 de um sábado enublado.
  • De Campo Maior, Arronches, Elvas, Fronteira e Sousel;
  • De Portalegre, Crato, Alter, Avis;
  • De: Nisa, Gavião e Ponte de Sôr

Operários/as da agricultura e da industria, trabalhadores/as da função pública, da saúde e do ensino, professores/as colocados/as ou no desemprego. Desempregados/as, reformados/as, estudantes.

Trabalhadores/as que trabalham mas não recebem salário. Expoliados/as do subsídio de férias e pais de crianças a quem foi roubado abono de família.

Todos e todas a desfilarem na Av. da Liberdade exigindo politicas que valorizem o trabalho e que garantam ao distrito de Portalegre o direito de continuar a ter gente.

Todas e todos a reafirmarmos o compromisso de que no distrito de Portalegre ninguém se rende!

No final, terminada a intervenção do Secretário-geral da CGTP-IN - Arménio Carlos, o regresso aos vários concelhos do Norte Alentejano e uma certeza: A Luta vai continuar!Já tem data marcada. Dia 22 de Junho, serão os/as trabalhadores/as da Administração Pública.
O distrito de Portalegre, como sempre, não ficará de fora!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Intervenção do Presidente Eleito a encerrar a Assembleia Geral de Badajoz



É PRECISO INTENSIFICAR A LUTA
                                                  POR UMA MUDANÇA DE POLITICA

Caros/as Companheiros/Companheiras,

     Os últimos meses têm sido nos nossos dois países e na euro-região Alentejo-Extemadura um tempo de intensa acção sindical e de importantes lutas de um e outro lado da antiga fronteira.
      Num quadro marcado pelo aumento dramático do desemprego e a precariedade, pelo embaratecimento dos salários e pelo agravamento das condições de trabalho, pelo ataque aos direitos laborais e à proteção social, os trabalhadores e as populações do Alentejo e da Extremadura têm desenvolvido uma intensa acção de cidadania e de luta, nos locais de trabalho e nas ruas de que se destacaram as Greves Gerais cumpridas no Alentejo e na Extremadura e as grandiosas manifestações que inundaram ruas e praças de ambas as regiões.
     No actual contexto nacional e europeu, de aprofundamento das contradições do sistema capitalista, verifica-se que a imposição de mais sacrifícios à classe trabalhadora e outras camadas desfavorecidas, coexiste com uma vontade de mudança e condenação das políticas de austeridade, como mostram quer a forma entusiástica e firme das lutas que aqui temos desenvolvido quer os resultados das eleições recentemente realizadas em França e na Grécia.
      Sendo tais resultados consequência da luta social e de massas, importa incentivar e continuar o combate sem tréguas contra as teses das inevitabilidades e da resignação apregoadas pelos ideólogos do capital e do liberalismo, sem deixar, no entanto, de também aqui, não perdermos a nossa capacidade de aliar ao protesto e à luta a nossa capacidade de propor e unir.
      Hoje, tal como ontem, é o movimento sindical de classe, o espaço de unidade e de acção em que os trabalhadores se organizam, se sentem representados e que nela confiam para prosseguir a luta por uma efectiva Mudança de Política, que nos permita construir o futuro que queremos numa Europa de Paz e com o Modelo Social construído pela tenacidade e querer dos seus trabalhadores e trabalhadoras.
      Ao contrário do que os governos insistem em fazer crer, não são os trabalhadores e os mais desfavorecidos quem vive acima das possibilidades dos países. Quem vive acima das possibilidades são os que vivem da exploração, da usura, da agiotagem e da apropriação ilegítima dos recursos e da riqueza produzida.
      São esses quem deve ser chamado a pagar a factura e não os que vivem do seu trabalho ou de pequenas pensões e que são vítimas de brutais medidas de empobrecimento e de cortes nos serviços públicos prestados nas áreas da saúde, da educação e ensino e nos apoios sociais.
     A Euro-região, como os respectivos países e a própria União Europeia necessita urgentemente de políticas de crescimento económico e não das políticas propostas pelos actuais mandantes que  aprofundam a recessão, constituem  um verdadeiro garrote ao desenvolvimento de inúmeros países e funcionam como sorvedouro da riqueza produzida nos países periféricos e da sua concentração no Centro da Europa.
      Persistir na austeridade e na cobertura ao Tratado Orçamental iria, caso fosse aplicado, condicionar ainda mais a criação do emprego, sentenciar as famílias à ruina, pôr em causa as funções sociais do Estado, hipotecar a independência e soberania nacionais de muitos Estados membros e destruir o Modelo Social Europeu.
     Ao contrário do que os Governos e o grande patronato afirmam,  não é com mais precariedade, ou com o corte de feriados e férias, que no caso português corresponde a 7 dias de trabalho gratuito, que se promove o crescimento económico e se reduz o desemprego. Como não são os direitos laborais e sociais os inimigos da economia.
     São os direitos laborais que permitem um trabalho com dignidade e que criam condições para melhorar as condições económicas e a produtividade de um país. A ofensiva que os governos estão a levar a cabo contra os serviços públicos e as funções sociais do estado (Saúde, Educação, Segurança Social) tem de ser travada!
      Neste quadro, tendo presente a gravidade da situação, importa que o Conselho Sindical Interregional Alentejo/Extremadura e as instituições sindicais que o integram se disponibilizem para:

§ Intensificar a mobilização para a luta contra as tentativas para rasgar acordos e retirar direitos lutando nos locais de trabalho contra a sua aprovação, promulgação ou aplicação. Combater as alterações para pior da legislação laboral, incluindo todas as medidas que visem aumentar o tempo de trabalho, fazendo respeitar a duração dos horários consagrados nas convenções colectivas, os seus limites diários e semanais e os dois dias de descanso semanal. Combater a diminuição da retribuição, a liberalização dos despedimentos e a introdução dos “bancos de horas” ou quaisquer regimes de adaptabilidade dos horários que visem colocar os trabalhadores disponíveis a todas as horas para o patrão, com prejuízo da sua vida privada e familiar;

§ Continuar o combate contra a precariedade e efectivar os direitos colectivos e individuais dos trabalhadores constantes dos contratos colectivos de trabalho e da legislação, através do combate às causas que impedem ou neutralizam o seu exercício, bem como exigir o cumprimento das normas de trabalho;
§ Prosseguir a acção reivindicativa para garantir e efectivar o direito de negociação colectiva, e aprofundar o seu papel na regulamentação das relações de trabalho, combater as discriminações salariais e promover a igualdade.
§ Trabalhar para harmonizar no progresso as condições de vida e de trabalho no Alentejo e na Extremadura e desenvolver actividade sindical para que sejam garantidos os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras que atravessam “a fronteira “ para trabalhar.
§ Promover uma forte mobilização dos trabalhadores e das populações e organizar iniciativas conjuntas para exigir as políticas necessárias ao desenvolvimento da euro-região e em particular as que exijam a concretização dos eixos rodo-ferroviários que a atravessam, a manutenção do serviço ferroviário de passageiros e o fim das portagens nas SCUTs que ligam a euro-região com as restantes regiões de um e outro país.

     Este é um tempo de intensificação e alargamento da luta.
     Só a ruptura com as políticas que nos querem impor pode permitir um novo caminho para o crescimento económico, o desenvolvimento e o progresso da euro-região e dos nossos dois países.
     As importantes Jornadas de luta já realizadas este ano, no Alentejo e na Extremadura têm de ter continuidade.
     E serão tanto mais eficazes se soubermos dar-lhe dimensão transfronteiriça!

CONSELHO SINDICAL INTERREGIONAL DEFINE AÇÃO A DESENVOLVER NA REGIÃO.


Sindicalistas de ambos os lados da fronteira preparam ação sindical de resistência e combate.

O Conselho Sindical Interregional Alentejo Extremadura (CSIR), órgão da Confederação Europeia de Sindicatos para as regiões fronteiriças reuniu hoje, dia 5 de Junho, em Badajoz para aprovar o relatório da Presidência cessante, eleger uma nova Direção e definir a sua atividade nos próximos dois anos.

O Coordenador da USNA/cgtp-in, Diogo Serra, foi eleito Presidente do CSRI sendo acompanhado na Executiva pelos dirigentes seguintes:
Vice - Presidentes: Julian Carretero - Secretário Geral das CCOO da Extremadura, Francisco Capilla - Secretário Geral da UGT de Extremadura e João Neves da UGT - P.
Tesoureiro - Valter Lóios - Coordenador da União dos Sindicatos de Évora
Vogais
Cruces Rosado e Alberto Román - CCOO
Joaquim Barriga e Renato Santos - UGT-P
Lorenza Calderón e Júlio Esteban - UGT Extremadura
Casimiro Santos - Coordenador da União dos Sindicatos de Beja.

sábado, 2 de junho de 2012

Seminário sobre Desenvolvimento Económico e Social/Emprego



Portalegre, um distrito a envelhecer e a perder população

Os últimos censos mostram o distrito em contínua perda de população, situação que se mantém desde meados do séc. passado. Só o concelho de Campo maior registou uma ligeira subida. Todos os restantes perderam população.

 O PIB – produto interno bruto, do distrito que cresceu menos que a média nacional, representa menos de 1% do total da riqueza criada no país.

 O PIB per capita é inferior à média nacional. Em 2009 era 86,6% do verificado no país embora a produtividade,  nesse ano, atingisse 97,5% da média nacional.

 O emprego no distrito tem vindo a sofrer quebras significativas fruto da desindustrialização, do não encontrar de alternativas à destruição da agricultura e pelo facto dos serviços existentes serem no fundamental de apoio às famílias e aos idosos.

 A desindustrialização agravou-se nos últimos anos e originou a perda de cerca de 15% dos postos de trabalho (cerca de 3 mil pessoas) a  agricultura perdeu igualmente postos de trabalho e mesmo os serviços, com particular  intensidade no turismo, têm visto crescer o desemprego ,fruto do encerramento sistemático das unidades hoteleiras aqui instaladas.

 Os serviços públicos têm também contribuído para o aumento do desemprego através de políticas de encerramento ou diminuição de funções, de concentração de serviços ou deslocalização para fora do distrito.

 O desemprego real atinge hoje perto de 10 mil homens e mulheres no distrito de Portalegre muitos dos quais sem quaisquer apoios que não sejam os seus próprios familiares e o recurso ao apoio de instituições que no território procuram minimizar a ausência de meios de sobrevivência num número crescente de famílias.

 O comércio definha, as pequenas empresas que são a maioria no distrito e as principais geradoras de emprego encerram ou arrastam-se sem quaisquer vislumbres de futuro.

 Que Fazer?

 Todavia, o Norte Alentejano não é uma região pobre. É tão só um território sem projecto.
  Um território vítima de políticas falsamente igualitárias que condenam o distrito e todo o interior ao isolamento e ao despovoamento.

 Também aqui, um território com menos de 30 mil trabalhadores por conta de outrem e com perto de 10 mil desempregados, o combate ao desemprego não pode ser feito através de políticas que estimulem e embarateçam os despedimentos.

 O combate para estimular a economia local não pode ser conseguida à custa de cortes brutais nos rendimentos das famílias ou com politicas fiscais que empurram os poucos meios financeiros disponíveis a atravessarem a fronteira para adquirirem os bens essenciais e os combustíveis a preços menores ou que funcionam como barreira à entrada de divisas através do turismo e da restauração.

 No nosso território é fundamental não perdermos nem mais um posto de trabalho e tal só é possível, a nosso ver, com a não promulgação do Código de Trabalho, ele próprio um estímulo ao desemprego e pelo assumirmos a necessidade que há muito é defendida pela estrutura local da CGTP-IN de construirmos no nosso território um Pacto Local para o Emprego.

 Um pacto que vise, não a precarização ou a retirada de direitos mas a capacitação de empregados e empregadores para potenciarem os recursos existentes no território e de que recordamos a panóplia de produtos agro-alimentares certificados e o património cultural e ambiental existente.

 No nosso distrito são fundamentais medidas de estímulo à procura interna e de apoio ao funcionamento da economia local que passa pelo aumento da capacidade aquisitiva da população e por politicas tendentes a dinamizar o sector produtivo e em particular as industrias que acrescentem valor aos produtos endógenos ( agro-indústria, transformação das rochas ornamentais, transformação da cortiça e da madeira).

 Políticas capazes de estimular a agricultura e as capacidades reais de contribuirmos para gerar emprego e diminuir a nossa dependência externa em matéria alimentar.

 Tal passa por encontrarmos formas de garantir que a terra cumpra o seu papel social. Que os apoios aos agricultores o sejam à produção e não ao abandono, que as possibilidades de irrigação sejam desenvolvidas o que passa pela construção da barragem do Pisão mas também pela utilização do barragem do Abrilongo,  construída mas não utilizada.

 Garantir investimento público que proporcione emprego mas que funcione como alavanca à economia local.
A construção da Barragem do Pisão, a recolocação do transporte ferroviário de passageiros com a modernização e electrificação da via, a ligação ferroviária entre Sines/Badajoz, a plataforma logística do CAIA e a ligação rodoviária entre Castelo Branco e Badajoz, são investimentos que no imediato garantiriam aumentos significativos na oferta de emprego e que potenciariam o desenvolvimento da região.
 A União dos Sindicatos do Norte Alentejano tem vindo a colocar a toda a sociedade a necessidade de “construirmos uma nova OID” sem exclusões ou omissões e em que a unidade de todas as entidades e instituições possa compensar o “peso” eleitoral que nos falta.
 Continuamos a defender esse caminho!

ESTAR NO DESEMPREGO NÃO É UMA OPORTUNIDADE




     A taxa de desemprego oficial, no nosso pais, foi de 14,9% no primeiro trimestre de 2012, correspondendo a 819,3 mil desempregados, mais 130 mil que em igual período do ano passado. Aumentou, inadmissivelmente, 19% em apenas um ano.
     No entanto, o número real de desempregados e subempregados já é superior a 1 milhão e duzentos mil, sendo a taxa real de desemprego de 21,5% (23,1% no caso das mulheres).
     É urgente revelar esta realidade. Muitos dos trabalhadores, conscientes das dificuldades de encontrar um novo posto de trabalho, deixaram de procurar emprego, passando a inativos e outros imigraram deixando de contar para a estatística. Isso é visível quer na diminuição da taxa de atividade, quer no crescimento de 40% dos inativos disponíveis.
    A realidade é esta – No espaço de um ano perderam-se mais de 200 mil postos de trabalho, 73 mil dos quais no último trimestre. Todos os sectores de atividade foram atingidos, destacando-se os serviços, com menos 102 mil empregos, e a indústria, com menos 91 mil.
     No Norte Alentejano a situação não é diferente: encerram empresas e serviços, aumenta o desemprego, cresce o número de famílias obrigadas a recorrerem à solidariedade de familiares e de instituições.
     O Desemprego no distrito atinge os 10 mil trabalhadores (uma taxa a rondar os 20%) e é particularmente grave entre os jovens qualificados e nos homens e mulheres com mais de 45 anos.
Aqui, a precariedade do emprego, o encerramento das indústrias e serviços, o desmantelamento do comércio tradicional e a postura do governo/patrão que teima em ser problema em vez de solução são as principais causas do desemprego existente.
      O setor da hotelaria e turismo, apresentado por muitos como a panaceia para os nossos males tem sido nos últimos meses um dos principais focos de desemprego. Neste período encerraram: A pousada de S. Miguel em Sousel, o Hotel da Candelária em Fronteira; a Pousada da Juventude e o Hotel de S. Mamede em Portalegre, o empreendimento Charcas Hotel em Ponte de Sor e o último caso: a Pousada de Santa Luzia em Elvas.
      Ao mesmo tempo a proteção social no desemprego chega a cada vez menos desempregados. A nível nacional, no primeiro trimestre deste ano,  apenas 349 mil desempregados tinham uma prestação no desemprego, o que deixa de fora 875 mil desempregados e faz cair a taxa de cobertura de 29,8% para 28,5% quando se compara com o mesmo trimestre de 2011.
      O desemprego não é uma oportunidade. É o resultado das políticas que os sucessivos governos vêm implementando no nosso país desde há mais de três décadas, e das medidas decorrentes do acordo que o PS assinou há um ano com a Troika e que o Governo do PSD/CDS intensificou. Medidas que estão a fazer definhar a nossa economia, que estão a destruir muitos postos de trabalho e a piorar as condições de vida dos portugueses.
      O desemprego é a principal causa do empobrecimento crescente no distrito. Causa gravíssimos problemas aos desempregados e suas famílias, nomeadamente naquelas onde já se esgotaram as prestações de desemprego casos dos desempregados da Fino’s, da Robinson, da Jonhson Control’s da DELPHI - INLAN, etc…e impõe também as dificuldades crescentes ao comércio e às entidades prestadoras de serviços à comunidade.
      Esta é uma política que despede os pais e nega o emprego aos filhos.
      A União dos Sindicatos do Norte Alentejano/cgtp-in afirma que, face à situação de verdadeira calamidade nacional que o país atravessa e que os dados hoje divulgados pelo INE confirmam, face à gravíssima situação vivida no nosso distrito, se impõe a tomada de medidas que protejam efetivamente os desempregados, alargando a proteção social no desemprego, e implementando um plano nacional de emergência de combate ao desemprego e de criação de emprego.
     No que respeita ao Norte Alentejano, a USNA/cgtp-in exige que seja desenhado e aplicado um Plano de Emergência Regional que suspenda no território as políticas que levam a administração publica, local e central, a gerarem mais desemprego e proceda ao investimento público necessário à concretização de projetos que, como a Barragem do Pisão, são potenciadores de gerar riqueza para a região e para o país.