Uma saudação fraterna aos trabalhadores e à população de Avis e por vosso intermédio, a todos e todas que têm vindo a manter viva a resistência às políticas de destruição das conquistas de Abril.
Hoje, estamos de novo nas ruas e em luta porque não podemos aceitar que sejam os trabalhadores a pagar uma crise para a qual nada contribuimos.
Hoje estamos aqui, integrando a Jornada de Acção Europeia contra a austeridade e por justiça social para colocarmos as preocupações com que nos debatemos e em conjunto com todos os trabalhadores e trabalhadoras da europa reafirmarmos que não nos renderemos.
Não estamos sózinhos e hoje mesmo ao longo do dia, a jornada que aqui viviemos estará a ser vivida nos territórios nossos vizinhos. A luta está igualmente na rua, nos restantes distritos do Alentejo, no Ribatejo, na Beira Interior, na Extremadura espanhola.
Hoje estamos aqui porque as politicas da troika e o governo PSD/CDS estão a conduzir Portugal para uma situação de retrocesso e dependência, tal como está a acontecer na Grécia.
Estamos aqui e nas restantes regiões do país, porque é preciso derrotar o Pacote de Exploração e Empobrecimento que querem impor ao sector público e privado e que visa:
- Aumentar o tempo de trabalho por via da eliminação de dias de férias, feriados e folgas; da redução do pagamento do trabalho extraordinário; da eliminação de descansos compensatórios; da imposição do banco de horas individual e grupal.
- A redução de 50% do pagamento do trabalho extraordinário e a eliminação de descansos compensatórios;
- Facilitar a transferência compulsiva de local de trabalho e de função;
- Alargar as causas de despedimento sem justa causa e diminuir o valor das indeminizações;
- Reduzir a protecção no desemprego, incluindo a redução do subsídio de desemprego;
- Destruir a contratação colectiva que assegura os direitos dos trabalhadores;
Voltámos à rua porque querem destruir o nosso território e impedirem-nos de viver e trabalhar no Norte Alentejano:
- Destroiem o nosso aparelho produtivo e atiram-nos para o desemprego e para a emigração: só nos dois primeiros meses deste ano, encerraram, entraram em Lay off ou têm salários em atraso mais 10 empresas do distrito e o desempgrego oficial atinge agora os 9 mil desempregados.
- Nos primeiros 55 dias de 2012: os salários em atraso voltaram à manufactura tapeçarias de Portalegre, a Sempapor de Portalegre e a Pinto & Bentes de Ponte de Sôr tem trabalhadores em Lay off, a CS imobiliária está paralisada e a Granisan em Nisa entrou em processo de insolvência.
Na hotelaria e turismo a situação não está melhor:
Encerraram o Hotel da Candelária, em Fronteira; o Hotel S. Mamede e a Pousada da Juventude em Portalegre encerraram, o Lagos Hotel entrou em férias "forçadas" e o Hotel Sol e Serra em Castelo de Vide tem salários em atraso.
O Estado ajuda à "festa", mandando encerrar os Centros de Novas oportunidades, anunciando encerramentos de tribunais, juntas de freguesia e legislando para diminuir apoios e os subsídios dos que são empurrados para o desemprego.
Mas estamos aqui também, por este concelho ser o melhor exemplo do que querem impor-nos:
Diminuição dos tempos do serviço de saúde e afastamento das populações, encerramento do Tribunal, tentativas de extinção de Juntas de Freguesia, retirada de meios ao poder local democrático.
Mas ser igualmente um bom exemplo do caminho que é preciso percorrer: os caminhos da unidade e da luta. Da luta de toda a população e dos seus eleitos contra a tirania e a injustiça.
- Foi assim, agora, contra a tentativa de encerramento e diminuição dos serviços de saúde no concelho;
- Foi assim, agora, contra a intenção de extinguir algumas das suas freguesias;
- Foi assim, agora, como uma significativa contribuição para enchermos a Praça do Comércio e transformá-la com o nosso protesto no Terreiro do Povo.
- Foi exemplo agora, como já o fora na década de sessenta na luta pela conquista das 8 horas de trabalho nos campos ou, após a Revolução, quando provou que a terra pode cumprir o seu papel social se a sua gestão estiver na posse dos trabalhadores
Estamos aqui, ainda, porque a jornada que hoje realizamos não é mais que uma etapa na preparação da Greve Geral que marcámos para o próximo dia 22 de Março.
Greve Geral contra o Pacote de Exploração e Empobrecimento, Por mudança política que permita a continuação de vida nos territórios do interior de que o nosso distrito é parte.
Estamos certos que continuaremos a ter ao nosso lado nesta e em outras lutas a coragem e a determinação de todas e todos os avisenses, de todas e todos os norte-alentejanos de todos os portugueses e portuguesas.
Hoje são cada vez mais os que reconhecemos a necessidade de travar esta gente e estas políticas e que o país não está em condições de prescindir de uma grande parte do território nacional.
Hoje mesmo um líder partidário está no nosso distrito e esteve de manhã aqui em Avis numa jornada anunciada como de defesa do Interior.
Daqui queremos , em nome do Movimento Sindical do Distrito, saudar a iniciativa e lançar o desafio para que todos e todas que se reveem nessa iniciativa possam engrossar a corrente do descontentamento e da luta e podem já dar novos passos na afirmação dessa vontade no próximo dia 22 de Março aderindo e apoiando a Greve Geral.
É que camaradas, como bem sabemos, a indignação é um estado de espirito a que todos temos direito mas, a indignação não resolve coisa nenhuma se não for transformada em acção e luta.
Nós bem sabemos que é com a luta que vamos resolver isto e porque o sabemos , aqui e agora reafirmamos que a Luta vai continuar!





