INTENSIFICAR
A LUTA, TRAVAR OS
ATAQUES DO GOVERNO, DOS PATRÕES E DA TRÓICA.
MUDAR DE
POLÍTICA!
Reunidos em Lisboa, cerca de um milhar de dirigentes e activistas sindicais da CGTP-IN, debateram a situação social, aprovaram a resolução que se transcreve e desfilaram até à residência oficial do 1º Ministro.
Uma delegação do Movimento Sindical do Norte Alentejano esteve presente no Plenário e no desfile até S. Bento.
RESOLUÇÃOAPROVADA PELO PLENÁRIO NACIONAL DE SINDICATOS REUNIDOS EM LISBOA
A degradação da situação económica e social é uma
consequência directa das políticas de austeridade, do Governo PSD-CDS, que
provocaram a recessão económica, o encerramento de empresas e o agravamento do desemprego, a diminuição do poder de compra decorrente da redução dos salários e das pensões,
o roubo dos subsídios de férias e de Natal, o aumento do custo de vida e das
despesas no acesso à saúde e à educação, o agravamento das desigualdades e o empobrecimento
generalizado da população.
As alterações ao código do trabalho, aprovadas com
os votos favoráveis dos deputados do PSD-CDS/PP (com a abstenção do PS), têm
como objectivo impor mais austeridade e maiores sacrifícios a quem trabalha e constituem
um retrocesso social e civilizacional que tem de ser combatido por todos
quantos defendem a justiça social. A decisão do Presidente da República em
promulgar estas alterações entra em rota de colisão com a Constituição da
República, porque infringe vários dos seus princípios e normas, designadamente,
entre outros, os princípios da dignidade da pessoa humana, do direito ao
trabalho e à segurança no emprego, da conciliação da vida profissional com a
vida familiar, da liberdade sindical e do direito de contratação colectiva.
A CGTP-IN não aceita que o direito ao trabalho seja
transformado no dever de trabalhar nas condições e com o salário o Governo ou o
patronato decidirem impôr aos trabalhadores.
A negociação colectiva não pode sujeitar-se a abusos e a ingerências absurdas
e ilegais do Governo, que têm por objectivo impôr o trabalho forçado e gratuito,
ou ser substituída por decisões unilaterais das administrações e do grande patronato. A
contratação colectiva tem de constituir um instrumento de harmonização
social no progresso, um elemento privilegiado para prevenir os conflitos
sociais e um factor de desenvolvimento económico e de coesão social do país.
A par da revisão da legislação laboral na Administração
Pública, este é um processo que se insere numa estratégia mais vasta, decorrente
da aplicação do memorando acordado com o FMI, BCE e UE e que visa o
definhamento do sector produtivo, a desregulação das relações de trabalho e o
condicionamento dos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores, o
aumento da exploração e o empobrecimento generalizado das famílias, o aumento
da dependência externa e da dívida, a fragilização da democracia e a perda de
soberania.
Lutar contra esta política que empurra o país para
o precipício, a classe média para a pobreza, os pobres para a miséria e os
excluídos para fora das estatísticas, é um imperativo nacional, logo uma
prioridade de todo o Movimento Sindical Unitário.
Luta que tem, também, de prosseguir contra as “reestruturações”
selvagens quer de empresas públicas quer de áreas importantes da Administração Pública e que tem como
objectivo degradar e reduzir as funções sociais do Estado, o poder local
democrático e os serviços públicos, com o objectivo de privatizar as partes
mais rendíveis e extinguir vários serviços de proximidade, indispensáveis ao
bem-estar das populações. As consequências desta ofensiva fazem-se sentir
gravemente no aumento do desemprego, da precariedade e das condições
sócio-laborais dos trabalhadores, assim como das populações, quando são postos
em causa direitos constitucionais, como sejam o direito ao emprego, à saúde, à
educação, à protecção social, à justiça e a outros serviços públicos.
A luta é, de facto, o caminho que é necessário
percorrer para combater o agravamento brutal do custo de vida, dos impostos,
das taxas moderadoras, das tarifas autárquicas, das rendas de casa, dos preços
de bens e serviços essenciais, como o gás, a água, a electricidade, os
transportes que, conjugado com a tentativa de reduzir os salários (como são
exemplos a divulgação de ofertas de emprego nos sites oficiais, de profissões
altamente qualificadas, com salários próximos do Salário Mínimo Nacional, a
contratação de enfermeiros a 3,96€ à hora para ocupar postos de trabalho
permanentes em hospitais e centros de saúde é o mais recente escândalo,
protagonizado pelo Governo e as empresas de trabalho temporário) e o
congelamento das pensões de reforma, constituem exemplos objectivos de uma
política que aprofunda as desigualdades e condena milhões de trabalhadores e
suas famílias a situações de grave carência económica.
Assim, perante o actual quadro político, económico
e social, e considerando que a intensificação da acção reivindicativa é o
caminho necessário para mobilizar os trabalhadores e envolver outras camadas da
população numa luta que é de todos e para todos - pela valorização do trabalho
e a dignificação dos trabalhadores, a defesa e melhoria dos serviços públicos e
das funções sociais do Estado, a criação de mais e melhor emprego, a reposição
dos subsídios de férias e de Natal roubado aos trabalhadores, aos reformados e
aposentados, o reforço da protecção social e o desenvolvimento económico e social
do país -os dirigentes e delegados sindicais, assim como os membros de
comissões de trabalhadores, presentes no Plenário Nacional de Sindicatos, realizado
em 5 de Julho, decidem:
§
Saudar os trabalhadores e trabalhadoras de todos os sectores de actividade que têm
realizado ou vão realizar inúmeras greves e outras formas de luta, concentrações
e manifestações, nomeadamente as realizadas recentemente no Porto e em Lisboa,
por melhores salários e condições de trabalho, na defesa dos direitos; contra a política
do Governo e as posições retrógradas do patronato; pela exigência de uma
mudança de política que responda às necessidades e anseios dos trabalhadores e
das suas famílias, e coloque o país no rumo do progresso e da justiça social;
§
Dinamizar de imediato, em todos os locais de trabalho, a
mobilização dos trabalhadores, com vista a
assumirem, desde já, o compromisso de desenvolverem as acções e as lutas que
forem necessárias para defender a contratação colectiva e impedir a eliminação
ou diminuição dos direitos existentes;
§
Intensificar
a acção sindical integrada nos locais de trabalho, dos sectores privado e
público, articulando o reforço de organização sindical de base com a
dinamização, envolvimento e mobilização dos trabalhadores na acção e luta
reivindicativas, de forma a concretizar as suas reivindicações, nomeadamente a
actualização dos salários, incluindo o aumento do Salário Mínimo Nacional, a
transformação dos vínculos laborais precários em definitivos e a efectivação dos
direitos consagrados nas convenções colectivas de trabalho;
§
Apelar a uma grande participação dos jovens
trabalhadores na iniciativa que a INTERJOVEM e outras organizações de jovens
vão promover no dia 14 de Julho, em Lisboa, sob o lema “o desemprego e a precariedade são para combater,
não para aceitar! Queremos Trabalho. Exigimos direitos!”;
§
Participar activamente na quinzena de
informação, esclarecimento e mobilização, a nível nacional (de 9 a 20 de Julho), fazendo de cada local de trabalho um espaço de
discussão e acção contra a revisão da legislação laboral, pela redinamização da Acção Reivindicativa, tendo
como princípio fundamental de orientação
sindical que, nos sectores e nas empresas, a lei aplicável é a
contratação colectiva.
Lisboa, 5 de Julho de 2012