A taxa de desemprego oficial, no nosso
pais, foi de 14,9% no primeiro trimestre de 2012, correspondendo a 819,3 mil
desempregados, mais 130 mil que em igual período do ano passado. Aumentou,
inadmissivelmente, 19% em apenas um ano.
No entanto, o número real de desempregados e
subempregados já é superior a 1 milhão e duzentos mil, sendo a taxa real de
desemprego de 21,5% (23,1% no caso das mulheres).
É urgente revelar esta realidade. Muitos
dos trabalhadores, conscientes das dificuldades de encontrar um novo posto de
trabalho, deixaram de procurar emprego, passando a inativos e outros imigraram
deixando de contar para a estatística. Isso é visível quer na diminuição da
taxa de atividade, quer no crescimento de 40% dos inativos disponíveis.
A realidade é esta – No espaço de um ano
perderam-se mais de 200 mil postos de trabalho, 73 mil dos quais no último
trimestre. Todos os
sectores de atividade foram atingidos, destacando-se os serviços, com menos 102
mil empregos, e a indústria, com menos 91 mil.
No
Norte Alentejano a situação não é diferente: encerram empresas e serviços, aumenta o desemprego, cresce
o número de famílias obrigadas a recorrerem à solidariedade de familiares e de
instituições.
O
Desemprego no distrito atinge os 10 mil trabalhadores (uma taxa a rondar os
20%) e é particularmente
grave entre os jovens qualificados e nos homens e mulheres com mais de 45 anos.
Aqui, a precariedade do emprego, o
encerramento das indústrias e serviços, o desmantelamento do comércio
tradicional e a postura do governo/patrão que teima em ser problema em vez de
solução são as principais causas do desemprego existente.
O setor da hotelaria e turismo,
apresentado por muitos como a panaceia para os nossos males tem sido nos
últimos meses um dos principais focos de desemprego. Neste período encerraram:
A pousada de S. Miguel em Sousel, o Hotel da Candelária em Fronteira; a Pousada
da Juventude e o Hotel de S. Mamede em Portalegre, o empreendimento Charcas
Hotel em Ponte de Sor e o último caso: a Pousada de Santa Luzia em Elvas.
Ao mesmo tempo a proteção social no desemprego
chega a cada vez menos desempregados. A nível nacional, no primeiro trimestre
deste ano, apenas 349 mil desempregados
tinham uma prestação no desemprego, o que deixa de fora 875 mil desempregados e
faz cair a taxa de cobertura de 29,8% para 28,5% quando se compara com o mesmo
trimestre de 2011.
O desemprego não é uma oportunidade. É o resultado das políticas que os
sucessivos governos vêm implementando no nosso país desde há mais de três
décadas, e das medidas decorrentes do acordo que o PS assinou há um ano com a
Troika e que o Governo do PSD/CDS intensificou. Medidas que estão a fazer
definhar a nossa economia, que estão a destruir muitos postos de trabalho e a
piorar as condições de vida dos portugueses.
O desemprego é a principal causa do
empobrecimento crescente no distrito. Causa gravíssimos problemas aos
desempregados e suas famílias, nomeadamente naquelas onde já se esgotaram as
prestações de desemprego casos dos desempregados da Fino’s, da Robinson, da
Jonhson Control’s da DELPHI - INLAN, etc…e impõe também as dificuldades
crescentes ao comércio e às entidades prestadoras de serviços à comunidade.
Esta é uma política que despede os pais e nega o emprego aos
filhos.
A União dos Sindicatos do Norte
Alentejano/cgtp-in afirma que, face à situação de verdadeira calamidade
nacional que o país atravessa e que os dados hoje divulgados pelo INE confirmam,
face à gravíssima situação vivida no nosso distrito, se impõe a tomada de
medidas que protejam efetivamente os desempregados, alargando a proteção social
no desemprego, e implementando um plano nacional de emergência de combate ao
desemprego e de criação de emprego.
No que respeita ao Norte Alentejano, a
USNA/cgtp-in exige que seja desenhado e aplicado um Plano de Emergência
Regional que suspenda no território as políticas que levam a administração
publica, local e central, a gerarem mais desemprego e proceda ao investimento
público necessário à concretização de projetos que, como a Barragem do Pisão,
são potenciadores de gerar riqueza para a região e para o país.

Sem comentários:
Enviar um comentário