COM A LUTA DERROTÁMOS A MEIA HORA!
A firme determinação dos trabalhadores em resistir e
prosseguir a luta por todas os meios ao seu alcance contra a brutal ofensiva do
patronato e das forças políticas que o sustentam, expressa nos milhares de
pareceres e moções aprovadas em plenários, obrigou o Governo do PSD/CDS a
retirar a proposta de lei que visava aumentar os períodos normais de trabalho
em meia hora por dia e duas horas e trinta minutos semanais, mantendo, no
entanto, outras malfeitorias, que não deixarão de ter a resposta devida.
A CGTP-IN saúda os trabalhadores que com persistência,
unidade e grande consciência de classe, travaram e venceram uma batalha
decisiva, derrotando pela luta a proposta do Governo que tinha como objectivo
conceder ao patronato a prestação de trabalho gratuito. Este desfecho só foi
possível devido à grande participação dos trabalhadores na Greve Geral, bem
como nas lutas que se têm multiplicado por todo o país, em defesa dos direitos
e da melhoria das condições de trabalho.
Esta é uma vitória dos trabalhadores e trabalhadoras que,
combatendo as teses das
inevitabilidades e resignações conseguiram, com a força da
razão e da luta, impedir a
concretização desta medida e demonstrar que vale sempre a
pena lutar.
NÃO
AO RETROCESSO SOCIAL!
O “acordo” celebrado pelo Governo do PSD-CDS com as
confederações patronais e a UGT constitui o maior atentado aos direitos dos
trabalhadores e um retrocesso social sem precedentes nas relações de trabalho
em Portugal. Sendo bom para o grande patronato, é inaceitável para os
trabalhadores e as suas famílias porque acentua a exploração, as desigualdades
e o empobrecimento.
Este é um compromisso que coloca o Estado e o dinheiro dos
nossos impostos ao serviço dos grandes grupos económicos e financeiros e fragiliza
a segurança social, ao forçá-la a financiar as empresas para baixar salários,
generalizar a precariedade e, de seguida, enviar os trabalhadores para o
desemprego.
Este é um “acordo” da capitulação que subverte o princípio
constitucional de proibição de despedimento sem justa causa, abrindo a porta de
par em par aos despedimentos por inadaptação, decorrentes da “quebra de
produtividade ou de qualidade”, sempre associada a objectivos definidos e
impostos pelo patronato aos trabalhadores.
Este é o “acordo” que pretende: reduzir as indemnizações e
o valor do subsídio de desemprego; atacar a contratação colectiva procurando
substitui-la pelas relações individuais de trabalho; obrigar os trabalhadores a
trabalhar gratuitamente em 4 feriados e 3 dias de férias; apostar nos bancos de
horas individuais e grupais, para pôr os trabalhadores a trabalhar mais e a
receber menos, em simultâneo com a possibilidade de gerir os dias de férias
destes, nas pontes, de acordo com os interesses e objectivos das empresas; reduzir
a 50% o pagamento de horas extras e eliminar o descanso compensatório;
subverter o papel da ACT, pondo-a a servir os objectivos das empresas, em vez
de assegurar o cumprimento dos direitos dos trabalhadores.
Ao contrário do que o Governo e os subscritores de tão
macabro documento invocam, estas propostas não só não resolveriam as questões
relacionadas com a competitividade como, caso fossem implementadas, agravariam
os problemas estruturais do país e as condições de vida dos trabalhadores e das
suas famílias.
Contudo, este “acordo” não é lei! Grande parte das
matérias tem de ser sujeitas a discussão na Assembleia da República.
Neste quadro, a CGTP-IN tudo fará para combater os que
pretendam substituir o “direito de trabalho” como um elemento de protecção da
parte mais desprotegida nas relações de trabalho, pelo “direito de trabalho do
patronato”, assumindo a continuação da denúncia e do combate à política que
rouba aos trabalhadores e ao povo ao mesmo tempo que empurra o país para o
precipício.
COM A LUTA OBTEREMOS OUTRAS VITÓRIAS!
Foi a luta dos trabalhadores que derrotou o aumento do
horário de trabalho. Só a luta dos trabalhadores pode fazer frente àquela
que é a maior declaração de guerra feita a quem trabalha, depois da Revolução
de Abril.
Porque a ofensiva anti-social a que os trabalhadores do
sector privado e da Administração Pública estão a ser sujeitos exige uma
resposta forte e empenhada de todos, sem excepção, os activistas sindicais e
membros de CT’s presentes nesta concentração decidem:
− Reclamar dos deputados da AR a rejeição das propostas de
lei do Governo que atentam contra os direitos dos trabalhadores e diminuem
ou violam os direitos constitucionais e contratuais;
− Saudar todos os trabalhadores, exortando-os a
prosseguir e intensificar a luta pelo emprego com direitos, contra o desemprego
e a precariedade, pelos aumento dos salários e das pensões, contra o custo de
vida, contra o roubo dos subsídios de férias e de Natal, pela defesa das
funções sociais do Estado na saúde, educação e segurança social e os serviços
públicos;
− Desenvolver uma forte
mobilização dos trabalhadores, jovens, desempregados e reformados, para a grande
Manifestação nacional de 11 de Fevereiro, em Lisboa, de forma a exprimirem
todos os descontentamentos, protestos e indignações contra a exploração, as desigualdades,
o empobrecimento e a política que rouba aos trabalhadores e ao povo, ao mesmo
tempo que empurra o país para o precipício.
Com determinação e confiança vamos prosseguir a luta com
todas as nossas forças contra o acordo de agressão aos trabalhadores e às suas
famílias. Uma luta que é indissociável da exigência de uma nova política que
valorize os trabalhadores e promova o desenvolvimento económico e social do
país.

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