
Estamos hoje aqui e em todo o país a fazer um grande 1º de Maio! É uma luta determinada contra as injustiças e as políticas desastrosas que, por opção, conduziram o país à situação actual. Contra a prepotência, a arrogância e a ganância do grande patronato. Contra as ingerências da UE e do FMI e pelo nosso direito soberano a decidir e escolher as políticas e as medidas necessárias para dar resposta aos problemas dos trabalhadores e das trabalhadoras, do povo e do País!
Lutamos por justiça e pela mudança de políticas!
Fazemo-lo hoje quando se comemoram 121 anos do dia dos trabalhadores, quando o país está confrontado com um violento ataque capaz de hipotecar o futuro e obrigar a um recuo nas condições de vida da maioria da população.
Lutamos hoje como sempre, resistindo, persistindo, propondo alternativas, abertos a um diálogo de progresso, dispostos a compromissos positivos mas nunca a encenações, inevitabilidades e capitulações!
Lutamos todos os dias. Sempre que é preciso, como sempre temos feito, agindo no presente para construir um futuro melhor!
Saudamos por isso os obreiros deste projecto sindical, os trabalhadores e trabalhadoras e em particular os homens e mulheres do Norte Alentejano que com coragem e determinação estiveram em todas as lutas nas empresas e serviços, nas mega manifestações nacionais de 29 de Maio e 19 de Março último e nas muitas que travámos aqui e também, na grande Greve Geral do dia 24 de Novembro!
Assumimos aqui o compromisso de prosseguir a luta, com esperança e confiança, contra a resignação e as inevitabilidades, combatendo as políticas do retrocesso, da recessão, do desemprego, do roubo dos salários e da destruição do aparelho produtivo!
A crise tem causas e responsáveis: não permitimos que sejam ignorados!
Foram os sucessivos governos, do PS, PSD com o CDS, que promoveram os baixos salários, atacaram os direitos, ao mesmo tempo que destruíram a agricultura, a pesca e a indústria. Os serviços e, em especial, o sector financeiro, foram favorecidos incentivando a transferência de recursos da produção para a especulação financeira, num autêntico roubo farto e feito à luz do dia.
Foram estes, mais os seus representantes no distrito os responsáveis pelo que aqui estamos a passar:
Destruição do nosso aparelho produtivo com o desmantelamento da nossa indústria: Só entre 2004 e 2009 ( primeiro governo Sócrates o distrito de Portalegre perdeu 3.600 postos de trabalho dos quais cerca de 2.000 pelo encerramento da nossa industria.
E a estes temos agora que acrescentar os que perderam o seu emprego na Robinson S.A., na Invicar, na Selenis Serviços, Ambipet e Fibralegre em Portalegre;
Na Delphi/Inlan, na Subercentro e na Dyn’aero em Ponte de Sôr,
Na Singranova e nos granitos Maceira em Nisa, para falarmos apenas do sector Industrial.
Esta política de destruição da nossa economia é a responsável pelo desastre actual.
Hoje produz-se menos e temos de importar mais aumentando a dívida externa.
Hoje, o grosso da riqueza vai para meia dúzia de grandes capitalistas, logo aumenta a desigualdade social, e o fosso entre os muito ricos e o resto da população.
ISTO NÃO PODE SER!
Hoje e aqui queremos reafirmar que não aceitaremos mais do mesmo.
Não aceitamos uma política que só serve os grandes grupos económicos e financeiros e os grandes accionistas, que põe em causa a negociação e ataca a contratação colectiva, que facilita os despedimentos, que fomenta a precariedade, que reduz os salários e as pensões e nos empobrece um pouco mais cada dia que passa!
Rejeitamos as políticas que enterraram milhares de milhões de euros no BPN e no BPP, que desbaratam o dinheiro dos trabalhadores para ajudar o sector financeiro e os grandes grupos económicos, passando o défice público de menos de 3% para mais de 9% em apenas um ano.
Estas foram medidas que proporcionaram, mais uma vez, o enriquecimento ilícito de alguns.
Rejeitamos que os grandes grupos económicos paguem pouco mais de 10% de impostos ou se lhes tolere a fraude e a evasão fiscais, ao mesmo tempo que se retiram ou congelam as prestações sociais.
Rejeitamos a redução do poder de compra dos salários e das pensões, quando, em tempo de crise, os lucros das grandes empresas aumentam e ultrapassam os 12 mil milhões de euros, já limpos de impostos!
Hoje e aqui reafirmamos:
ISTO É UMA VERGONHA!
Mas foi com esta política que chegámos onde estamos. Os problemas do país não se resolvem com a entrada da UE, FMI e do BCE.
A troika nacional (PS-PSD-CDS), com apoio do PR, faz apelos a uma união nacional de triste memória; querem que não haja protestos; desejam que nos rendamos às inevitabilidades; pretendem convencer os trabalhadores e o povo que todos somos responsáveis pela crise que alguns criaram e beneficiaram.
Dizem que vivemos acima das possibilidades, que todos vivemos acima das possibilidades …
Bem grande é a propaganda, mas camaradas, será que
• Os 30 mil pensionistas do distrito de Portalegre que auferem pensões médias de 337 euros (no país a média é 403 euros) vivem acima das suas possibilidades?
• Os quase 10 mil desempregados, dos quais apenas 3.452 recebem subsídio de desemprego com um valor médio de 517 euros, vivem acima das possibilidades?
• Os cerca de 30 mil trabalhadores por conta de outrem cuja remuneração mensal média era em 2009 de 727 euros e que um numero significativo de trabalhadores, particularmente os jovens, com vínculo precário, vivem com o salário mínimo ou menos, vivem acima das suas possibilidades?
Não camaradas, não são os trabalhadores, os jovens, os desempregados, nem os pensionistas e reformados, nem os micro e pequenos empresários que vivem acima das possibilidades! Acima das possibilidades vivem os que duplicaram, só no último ano, os lucros para valores escandalosos, à custa da exploração do povo português.
São os grandes accionistas e o grande patronato, entre os quais os detentores das grandes grupos económicos da distribuição alimentar - caso dos Modelo/Continente, do Pingo Doce e das cadeias Intermarché e E. Leclerque, que depois de destruírem o comércio tradicional, apostam agora na destruição dos direitos dos trabalhadores e lançam hoje baterias para destruírem o dia Internacional do Trabalhador, como feriado Nacional.
São os responsáveis pela situação que vivemos os mesmos que vêm agora apelar à convergência Nacional.
Basta de apelos hipócritas e cínicos à convergência nacional para continuar a encher os bolsos dos mesmos e assegurar a continuação no poder dos que colocaram o País na situação em que se encontra!
A esses respondemos com frontalidade:
Sim, defendemos o nosso País e o nosso Povo. Por isso não capitulamos e rejeitamos a ingerência externa!
Sim, defendemos Portugal, mas não os interesses dos banqueiros que depois de fazerem negócio à custa do Estado, recusaram financiá-lo e reclamaram a entrada das sanguessugas do FMI!
Sim, defendemos o futuro, mas não é com PEC’s e mais PEC’s que só trazem recessão e sofrimento a quem trabalha e ainda com a UE e o FMI a ”decidir” por nós!
Não! Não aceitamos a subversão da nossa Constituição e do nosso regime democrático!
É TEMPO DE DIZER BASTA!
Por isso, vamos lutar contra os cortes nos salários e as alterações que piorem a legislação laboral!
Vamos lutar contra os cortes nas funções sociais do Estado e nos serviços públicos!
Vamos lutar contra a redução das prestações sociais, os ataques à saúde e ao ensino e o aumento dos preços de transportes e de outros serviços e bens essenciais!
Vamos lutar contra as privatizações e o objectivo de transformar o direito de todos em negócio de alguns, como já acontece com a electricidade ou os combustíveis!
Vamos lutar contra mais impostos cegos, enquanto a banca e outros sectores pagam menos!
Vamos lutar porque há alternativas!
Neste 1º de Maio lutamos e exigimos mudança!
Exigimos mudança de políticas e temos proposto soluções alternativas concretas.
Camaradas
Precisamos mobilizar os trabalhadores e toda a população para a resolução dos problemas que são nossos e do interesse nacional. E isso passa muito claramente pela continuidade da nossa luta, forçando com o nosso voto a mudança de políticas nas eleições de 5 de Junho. Alguns querem transformá-las na legitimação das políticas e das medidas de ingerência que a UE e o FMI vão definir. Esta é uma situação inadmissível.
Os programas dos Partidos que se comprometem com as medidas da UE / FMI não podem esconder esse compromisso. Escondê-lo significará uma burla aos portugueses e um atentado à democracia.
É tempo de participar e de votar para mudar de políticas.
Não podemos deixar aos outros o poder de decidir por nós.
É indispensável a nossa participação para exigir uma mudança de rumo!
Vamos pois usar o voto lutando pelo futuro do nosso País e dos seus trabalhadores, numa escolha coerente e livre de quem nos vai representar na Assembleia da República, de que sairá o novo Governo.
Camaradas
A razão e justiça das nossas posições não são, por si só, suficientes para forçar a mudança necessária. Temos de lutar!
É por estas exigências e contra as medidas que nos querem impor que convocamos os trabalhadores e as trabalhadoras, os jovens, os pensionistas e reformados, para uma ampla participação nas duas grandes manifestações que vamos realizar no dia 19 de Maio, em Lisboa e no Porto, contra a ingerência da UE e do FMI.
Lutamos porque sabemos que outro rumo é possível!
VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES!
VIVA O 1º DE MAIO!
VIVA A CGTP-IN!
*intervenção do Coordenador da USNA no 1º de Maio em Portalegre
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