quinta-feira, 28 de maio de 2009

São precisas políticas que valorizem o trabalho, respeitem os trabalhadores e potenciem o desenvolvimento regional.



Iniciou-se ontem o ciclo eleitoral que levará os portugueses a escolherem os seus representantes no Parlamento Europeu, na Assembleia da Republica e nas Autarquias Locais.

Estas eleições ocorrem no contexto de uma grave crise internacional que põe em evidência algumas das contradições insanáveis do sistema capitalista e as suas implicações e, no que nos diz mais directamente respeito, veio acelerar os efeitos das políticas erradas que apostaram na destruição do nosso tecido produtivo, no empurrar das pessoas para fora da região, na desertificação e despovoamento das nossas vilas e aldeias.

A situação que hoje se abate sobre os homens e mulheres do Norte Alentejano é fruto dessas politicas que o “Centrão – o bloco de interesses representado pelos partidos que têm partilhado o poder nas últimas décadas – por manifesta incompetência ou deliberada má fé nos têm vindo a impor a partir dos espaços de decisão centralizados em Lisboa. Mas é também, porque os que na região representam os mesmos interesses, têm sido cúmplices desta destruição.

Os resultados aí estão.



O Desemprego, flagelo de sempre, atinge hoje números insustentáveis, ultrapassando largamente os “míticos” 10% apesar do significativo número de trabalhadores e trabalhadoras de facto desempregados mas escondidos por detrás de ocupações temporárias, de horários reduzidos, de expectativas de trocar o sistemático estágio num emprego com algum futuro.

O sector produtivo regional continua a ser destruído com o encerramento sistemático das nossas principais unidades industriais:

Á Fino’s, Jonhson Control’s, Robinson Bros, e Lactogal as unidades de extracção de granitos em Elvas, Monforte e Arronches já encerradas juntam-se as que têm o fim anunciado e os seus trabalhadores significativas perdas nos salários como é o caso da Delphi ou as reduções de tempos de trabalho e dos salários como vem sucedendo na Hutchinson em Portalegre e em Campo Maior e ainda as que apesar de ainda em laboração tem o pagamento dos salários em atraso como são os casos da Granisan e Singranova.

Outras, apresentadas como empresas do futuro começam já a trilhar os caminhos do despedimento como é o caso da DYN’ AÉRO.

É esta a situação que tem imposto aos trabalhadores e trabalhadoras do Norte Alentejano a necessidade de lutar.



Foi essa necessidade, compreendida e sentida, que originou a nossa participação em todas as lutas convocadas pela CGTP-IN e realizadas na região, no país e mesmo em territórios de Espanha como foram as nossas participações em Badajoz e em Madrid.

São estas as razões que dão razão à nossa reivindicação de uma intervenção urgente para o Distrito através de uma Operação Integrada de Desenvolvimento com o envolvimento de todos os actores regionais. Mas são estas mesmas razões que nos impõem continuarmos e intensificarmos a nossa luta que não vai parar por estarmos dentro deste ciclo eleitoral.

Os trabalhadores irão ainda em Junho realizar vigílias em defesa do emprego, contra o desemprego e a destruição de empresas e o Movimento Sindical do distrito propõe aos trabalhadores e suas famílias que entendam cada acto eleitoral, como a continuação da luta que travamos pelo emprego, pelos direitos, por um distrito desenvolvido e solidário onde seja possível continuar a trabalhar e viver e levem essa luta até às urnas de voto.


Portalegre, 2009-05-26

A Comissão Executiva da USNA/cgtp-in

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