RESOLUÇÃO
PROSSEGUIR A LUTA
PELOS SALÁRIOS, EMPREGO E DIREITOS
DERROTAR A POLÍTICA
DE DIREITA
CONSTRUIR UMA
ALTERNATIVA DE ESQUERDA
Um enorme caudal de
descontentamento, protesto e indignação geral tem percorrido as ruas, praças e
avenidas de Portugal inteiro.
Os trabalhadores, os reformados e pensionistas, os jovens e os desempregados, a
generalidade dos cidadãos, estão perante um retrocesso social e civilizacional
que enfraquece e elimina direitos duramente alcançados pela luta histórica dos
trabalhadores e do povo português e que corrói os alicerces do regime
democrático alcançado com a Revolução de 25 de Abril.
As políticas de direita
protagonizadas pelos sucessivos Governos nos últimos 35 anos foram responsáveis
pelo declínio e ruína dos sectores produtivos (indústria, agricultura, pescas),
pela liquidação de sectores estratégicos da nossa industria, em grande parte
devido à política de privatização que conduziu ao desmantelamento de grandes
empresas, pela quebra da produção e do consumo, pela alienação de sectores
estratégicos e esbanjamento de recursos públicos, para favorecer o capital
económico e financeiro.
A acção do actual Governo
PSD/CDS prossegue e acentua gravemente as políticas de desastre, ditas de
austeridade, seguindo a cartilha das forças do capital corporizada no
“memorando” assinado com a tróica estrangeira (FMI, UE e BCE), um autêntico
programa de agressão contra o povo e o país. As chamadas “reformas estruturais”
deram lugar à transferência de dinheiros públicos para a Banca e o capital financeiro,
ao mesmo tempo que agravaram os problemas do país, como a dívida e o défice
público, numa espiral de recessão e destruição da economia nacional.
A exploração desenfreada
dos trabalhadores quer do sector privado quer do sector público e do sector
empresarial do Estado, está patente na ofensiva para aumentar o tempo de
trabalho (gratuito), cortar nos salários e nos subsídios de férias e de natal,
desregulamentar os horários de trabalho e introduzir o banco de horas e novas
formas de adaptabilidade para fomentar o agravamento do desemprego e da
precariedade dos vínculos laborais. As consequências para os trabalhadores e as
suas famílias são brutais: empobrecimento generalizado; regressão drástica das
condições de vida das classes e camadas populares; perda da qualidade e da
esperança média de vida.
O País está a afundar-se. O
Governo PSD/CDS instituiu como política de Estado a recessão económica, o
desemprego e o roubo aos trabalhadores, aos reformados e pensionistas.
É preciso que os
trabalhadores e o povo acabem com esta política e este Governo, antes que este
Governo e esta política acabem com o País.
Portugal não pode continuar
subjugado a um Governo que assenta a sua opção de classe num programa de agressão
aos trabalhadores e ao povo português, para satisfazer os interesses económicos
e financeiros dos grandes grupos capitalistas.
Os trabalhadores e o povo
não podem continuar subjugados a um Governo mentiroso que depois de arruinar
a vida de milhares de famílias, se prepara agora para inscrever no orçamento de
estado para 2013 mais medidas dirigidas ao roubo dos salários e ao
agravamento da carga fiscal, tornando impossível a existência de uma
vida minimamente digna para a generalidade dos que vivem e trabalham em
Portugal, com particular brutalidade sobre os jovens, os desempregados,
os reformados e pensionistas, assim como outros sectores da sociedade
mais vulneráveis ao alastramento das situações de pobreza e exclusão social.
Os participantes nesta
grandiosa Manifestação Nacional realizada no Terreiro do Paço, em Lisboa,
contra o roubo dos salários e das pensões, contra a ruína das famílias, contra
a destruição do país e por uma verdadeira alternativa, afirmam a sua total
disponibilidade para prosseguir e intensificar a luta, tendo como objectivo
romper com a política de direita. Nesse sentido:
· Saúdam
todos os trabalhadores e trabalhadoras do Sector Privado, da Administração
Pública e do Sector Empresarial do Estado que todos os dias nos locais de
trabalho travam lutas vigorosas pela defesa dos direitos e exorta-os a prosseguir, com determinação e confiança
no futuro, a luta contra o encerramento das empresas e a defesa dos
postos de trabalho; pelo pagamento dos salários em atraso e a
desregulamentação dos horários; pelo aumento dos salários e a defesa dos direitos
laborais e dos serviços e funções sociais do Estado;
· Saúdam
também, os jovens e desempregados, os reformados e pensionistas, todos os
portugueses que, participando nas
diversas acções de protesto realizadas em todo o país, evidenciam uma
grande determinação em continuar a luta para acabar com este Governo hostil que
quer destruir as conquistas de Abril;
· Consideram
que é imperioso aprofundar o esclarecimento e a mobilização em todos os locais
de trabalho para travar as lutas necessárias a fim de derrotar o memorando da
tróica e impedir a aprovação de mais medidas de austeridade que agravam os sacrifícios dos trabalhadores e das famílias
e empurram o país cada vez mais para o abismo;
· Assumem
o compromisso de concretizar o Dia Nacional de Luta, convocado para 1 de
Outubro, data do 42.º Aniversário da CGTP-IN, como uma grandiosa acção descentralizada de iniciativas e lutas
reivindicativas nos locais de trabalho, em articulação com iniciativas para o
reforço da sindicalização e da organização sindical de base e dando
expressão de rua ao objectivo: Acabar com a Política de Direita. Pelos
Salários, Emprego e Direitos;
· Apelam
aos desempregados e outras camadas da população a participarem na Grande Marcha
Contra o Desemprego – Trabalho com Direitos, Portugal com Futuro, que
percorrerá o País de
· Expressam
um grande empenhamento para intensificar e ampliar a luta necessária, a partir
do reforço da unidade na acção de todos os trabalhadores nos locais de trabalho, pela resolução dos
problemas concretos e melhoria das suas condições de vida e de trabalho;
· Assumem
o compromisso de convergir com outros sectores e camadas da população, numa
resposta ampla e poderosa que ponha termo à ofensiva do grande patronato, acabe
de vez com a política de direita e abra caminho a uma efectiva alternativa de
esquerda, rumo ao desenvolvimento económico, ao progresso social, à salvaguarda
dos interesses dos trabalhadores e do povo português, no quadro do regime
democrático e das conquistas de Abril e na necessária afirmação da soberania
nacional.
Lisboa, 29 de Setembro de
2012

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