RESOLUÇÃO
INTENSIFICAR A ACÇÃO E A LUTA REIVINDICATIVA
DEFENDER A CONTRATAÇÃO COLECTIVA
A política de direita agravou os problemas estruturais da economia,
afundando o país numa gravíssima recessão que, se não for travada com urgência,
levará Portugal ao desastre. Os trabalhadores e as trabalhadoras, os jovens, os
desempregados, os reformados e pensionistas, as camadas desfavorecidas da população,
são as principais vítimas de uma crise de que não são responsáveis.
As novas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo PSD/CDS
intensificam e ampliam o violento ataque às condições de vida e de trabalho,
querendo o Governo instituir a exploração e roubo aos trabalhadores e ao povo
como política oficial do Estado.
O aumento da taxa Social Única (TSU) de 11% para 18%, a que se junta
também o aumento do IRS, por via da revisão dos respetivos escalões, têm como
consequência uma violenta diminuição dos rendimentos do trabalho auferidos
pelos trabalhadores dos sectores público e privado, correspondendo a uma perda
salarial que pode chegar ao corte de mais de três salários líquidos em cada
ano. Um roubo ainda mais ignóbil na medida em que será transferido, na sua
quase totalidade, diretamente para os bolsos dos patrões e dos grandes acionistas
das empresas.
O nível de vida (que estagnou na passada década face à média europeia)
recuou em termos absolutos a partir de 2011. Os trabalhadores, em conjunto com
os pensionistas, foram os mais atingidos. A redução acumulada do poder de
compra dos salários entre 2009 e 2013 é de 12% no conjunto da economia. Tendo em
conta o agravamento da fiscalidade e os cortes nos subsídios de férias e de
Natal, a diminuição do poder de compra é bastante superior, principalmente para
os trabalhadores da Administração Pública.
O salário mínimo nacional, que abrange hoje cerca de meio milhão de
trabalhadores, teve uma quebra do poder de compra de 1,5% em 2011 e não foi atualizado
este ano. Em Julho deste ano, a queda acumulada do seu poder de compra atingiu
os 4%. As medidas agora anunciadas pelo Governo PSD/CDS, a concretizarem-se,
provocaria o aumento da TSU sobre os trabalhadores, fazendo descer o montante
líquido
do SMN para 397,70 euros, ou seja, para um valor significativamente inferior ao
limiar de
A exploração desenfreada dos trabalhadores é ainda agravada com a
ofensiva patronal para aumentar o tempo de trabalho (gratuito), através da
intenção em eliminar dias de férias, feriados e dias de descanso; pretensão em
diminuir o pagamento do trabalho extraordinário e redução do valor/hora de
trabalho, em desregulamentar os horários de trabalho e introduzir o banco de
horas e novas formas de adaptabilidade para fomentar o agravamento do
desemprego e da precariedade dos vínculos laborais.
Esta ofensiva patronal tem sido incentivada pelo Governo que, para além
de já ter estendido muitas destas malfeitorias aos trabalhadores da
Administração Pública, quer levar mais longe esta ofensiva laboral, nomeadamente
com a proposta de lei (n.º 81/XII) para alterar e agravar as condições de
trabalho neste sector.
Os jovens constituem um dos grupos sociais mais atingidos pela atual
situação, sendo expostos ao desemprego, à contratação a prazo e outras formas
de precariedade dos vínculos laborais, aos baixos
salários,
à desregulação das condições de trabalho, sendo ainda alvo da arbitrariedade e
de medidas
discriminatórias
impostas por muitos patrões.
A aplicação do programa de agressão, supervisionado pela troica
estrangeira, tem também uma forte incidência no ataque ao direito de
contratação coletiva, sob o argumento da competitividade e da
necessidade
da moderação dos salários. O número de convenções coletivas de trabalho
publicadas, em
queda
desde o Código de Trabalho de 2003, reduziu-se ainda mais nos dois últimos
anos. O Memorando
de
Entendimento prevê o congelamento na emissão de Portarias de Extensão. A
intromissão da troica em
matérias
da contratação coletiva ilustra de uma forma crua como, a coberto da invocação
da necessidade
de
redução rápida do défice e da dívida pública, se estão a pôr em causa direitos
fundamentais dos
trabalhadores,
constitucionalmente consagrados e, simultaneamente, a provocar uma redução drástica
dos
salários
e do poder de compra.
Estamos perante uma situação de brutal retrocesso do país em todos os
domínios sendo o resultado acumulado de anos de política de direita ao serviço
dos grandes grupos económicos e financeiros, que foi agravado com o memorando
estabelecido entre aqueles que governaram o país nos últimos 35 anos e a troica
estrangeira do FMI/BCE/UE.
Portugal enfrenta, assim, a mais grave crise económica e social
verificada depois da Revolução de Abril.
O momento que hoje estamos a viver e as perspetivas que o Governo do
PSD/CDS aponta para o futuro imediato
têm consequências trágicas para o país e dramáticas para a vida dos
portugueses: desemprego brutal; profunda e destruidora recessão económica;
empobrecimento generalizado; regressão drástica das condições de vida das
classes e camadas populares; perda da qualidade e da esperança média de vida.
As consequências dramáticas fazem-se ainda sentir no aumento das
injustiças e desigualdades, mas também na destruição da Segurança Social,
Universal e Solidária, do Serviço Nacional de Saúde e da
Escola
Pública, que conduz à diminuição da proteção social dirigida aos sectores mais
vulneráveis da
sociedade
e até mesmo ao alastramento das situações de pobreza e exclusão social.
É preciso acabar com esta política e com este Governo, antes que este
Governo e esta política
acabem com o país.
No atual contexto político e social é urgente desenvolver a iniciativa
sindical e intensificar a ação reivindicativa nos locais de trabalho, condição
necessária e decisiva para defender os direitos e melhorar as condições de
trabalho, mas também para alargar o campo da luta mais geral para pôr termo a
este Governo e a esta política.
Nesse sentido, o Encontro Nacional sobre Ação Reivindicativa e defesa
da Contratação Coletiva, realizado em Lisboa, no dia 15 de Setembro de
2012, aponta os seguintes objetivos prioritários:
No plano da Ação Reivindicativa:
·
O aumento dos salários em pelo menos 4%, tendo em conta a perda do
poder de compra dos
salários nos últimos anos, a inflação em 2012 (que o Banco de Portugal
prevê em 2,6%) e o
agravamento da carga fiscal sobre o trabalho, de acordo com as condições
objetivas dos sectores
e das empresas;
·
A reivindicação nas empresas, em articulação com a exigência ao Governo
da revisão ainda
em 2012 do salário mínimo, propondo um aumento de 1 euro por dia, pelo que o
novo valor
deverá ser fixado em 515 euros;
·
O desbloqueamento da contratação coletiva, exigindo do patronato
soluções para os conflitos
existentes e respeito pelo exercício do direito de negociação e
contratação coletiva, que
constitucionalmente é conferido aos sindicatos;
·
A intervenção nos locais de trabalho com vista a combater quaisquer
tentativas do patronato
·
em aproveitar as alterações gravosas do código do trabalho e defender normas,
constantes de
convenções coletivas de trabalho ou de usos da empresa, que sejam mais
favoráveis que as do
Código de Trabalho (Lei 23/2012 de 23.6);
No plano da Organização Sindical de Base:
·
A definição dos locais de trabalho prioritários e estratégicos para o
desenvolvimento da ação sindical, articulando as propostas reivindicativas com a
dinamização de cada um dos processos de contratação coletiva, elaborando os
respetivos planos de trabalho, responsabilizando toda a estrutura – Federações,
Uniões e Sindicatos – a identificar, em cada nível, objetivos e metas concretas
a atingir, no plano das reivindicações e no plano da organização no local de
trabalho;
·
A articulação da ação reivindicativa com o trabalho de organização, numa perspetiva
integrada, assegurando o máximo aproveitamento dos recursos disponíveis,
com especial atenção à participação, envolvimento e responsabilização concreta
de todos os dirigentes e delegados sindicais, nomeadamente os que estão nos
locais de trabalho, garantindo a melhor utilização dos créditos de horas
existentes;
·
O preenchimento da Ficha de Intervenção Sindical em cada local de
trabalho como
elemento fundamental para conhecer a situação existente, estabelecer os objetivos
e metas, planificar a ação sindical, avaliar e valorizar resultados.
·
O reforço da organização sindical de base, o que pressupõe um
empenhamento acrescido na
concretização da Campanha de Sindicalização em curso e no
controlo e recolha regular da
quotização, na eleição e renovação de delegados sindicais e comissões
sindicais, bem como na eleição de mais representantes para a saúde e segurança
no trabalho. O reforço da organização implica, ainda, que não seja subestimada
a importância da informação e propaganda sindical e que se dê especial atenção
à participação dos jovens e das mulheres.
·
O Encontro Nacional saúda os ativistas sindicais e os muitos milhares de
trabalhadores e
trabalhadoras dos vários sectores de atividade que resistem e lutam com
grande coragem e
determinação pela defesa dos direitos, pelo aumento dos salários, pela
manutenção dos postos de trabalho, contra o encerramento de empresas, pelo
pagamento de salários em atraso e pela defesa dos direitos laborais e sociais.
·
O Encontro Nacional salienta a importância de prosseguir as lutas em
curso,
reforçando a unidade e o campo da ação convergentes nos locais de trabalho.
Assim, reitera o máximo empenhamento na preparação, mobilização e concretização
das iniciativas e ações já definidas a nível das empresas e sectores e, com
particular atenção, às seguintes ações de âmbito nacional:
o
A Grande Jornada de Luta Nacional – Todos a Lisboa, Todos ao Terreiro
do Paço, no dia 29 de Setembro, às 15:00 horas: Contra o roubo dos
salários e das pensões; Contra a ruína das famílias e a destruição do país!
o
O Dia Nacional de Luta, convocado para 1 de Outubro, data do 42.º
Aniversário da CGTP-IN, que terá a forma de uma grandiosa ação descentralizada de iniciativas
e lutas reivindicativas nos locais de trabalho, em articulação com iniciativas
para o reforço da sindicalização e da organização sindical de base e dando
expressão de rua ao objetivo: Acabar com a Política de Direita. Pelos Salários,
Emprego e Direitos;
o A Grande Marcha Contra o
Desemprego – Trabalho com Direitos, Portugal com Futuro, de 5 a 13 de Outubro, para a qual se exorta os
desempregados e outras camadas da população a participarem ativamente na sua
preparação e concretização.
ACABAR COM ESTA POLÍTICA E COM ESTE GOVERNO
ANTES QUE ESTE GOVERNO E ESTA POLÍTICA ACABEM COM O PAÍS!
O ENCONTRO NACIONAL

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