sábado, 14 de abril de 2012



Jornada Nacional de Luta em defesa do Serviço Nacional de Saúde

ENCONTRO COM A COMUNICAÇÂO SOCIAL


A Saúde é um bem fundamental e um elemento fundamental para se alcançarem elevados níveis civilizacionais.

A forma de organização dos cuidados de saúde evoluiu até se atingirem estruturas hierarquizadas e coordenadas que em Portugal se designaram de Serviço Nacional de Saúde. Por ser uma estrutura pública e de grande penetração na população portuguesa, sempre sofreu a cobiça dos privados interessados em amealharem o mais que pudessem dessa necessidade que é a saúde. Os liberais não perderam tempo e iniciaram o processo de desmantelamento do SNS e se é verdade que para o país esta opção é altamente lesiva do interesse nacional, para o Alentejo é catastrófica.

No Alentejo, a maior região em área geográfica e a menos populosa no que à demografia diz respeito, as mesmas medidas, brutais em todo o país, poderão assumir proporções catastróficas, levando à morte por falta de assistência médica, milhares de idosos.

Senão vejamos: as extensões encerradas são aquelas mais isoladas e com menos habitantes servidos, o que deixará ainda mais isolados os que já de poucos meios disporiam; a região do Alentejo não é servida por uma rede de transportes públicos que permita sequer, a ligação entre as principais cidades quanto mais entre pequenas vilas e lugarejos e as principais unidades hospitalares, deixando à mercê quem não tiver meios económicos para pagar táxis ou outros meios privados de transporte para uma consulta ou uma urgência.

Além do mais, esta é uma das regiões mais empobrecidas e envelhecidas do país, criando uma bolsa de utentes crónicos das urgências hospitalares, cuja taxa moderadora foi entretanto aumentada para valores dificilmente suportáveis por esta população, o que só seria evitável se os cuidados de saúde primários abrangessem toda a população. Ora é precisamente a estes que o acesso será restringido.

Nos grandes centros o encerramento de uma urgência ou centro de saúde, ainda que profundamente contrário aos nossos princípios, poderá ser colmatado com o desvio para outro a 10 minutos ou 5 km de distância. Mas no Alentejo é muito diferente. O próximo hospital poderá ficar a mais de 60 ou 70 Km!

Outro exemplo da politica centralizadora deste Governo e descriminadora das populações mais isoladas é que na reorganização da rede de urgências hospitalares, a urgência de Évora é desclassificada para urgência médico-cirúrgica, o que obrigará alguns doentes de todo o Alentejo a terem de se deslocar para as urgências de S. José ou Santa Maria, em vez de se deslocarem até Évora.

As populações têm de lutar pelo SNS sob pena de virem a chorar e a lamentar-se quando já for tarde de mais.

A hora é de lutar pelo que sentimos que é justo e contra estas políticas de isolamento e de esquecimento do interior.


 Portalegre, 2012-04-13

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