Os responsáveis pela saúde no Norte-alentejano e o governo a quem servem têm vindo a afadigar-se para saberem quais de entre deles se destacam na obstaculização do acesso dos norte-alentejanos aos serviços de saúde.
Os primeiros inventaram um Plano Geral de Redução da Despesa que para além do encerramento de extensões de saúde e da redução do horário de funcionamento de Centros de Saúde, ninguém conhece.
Os segundos afadigam-se na invenção de medidas capazes de destruírem o Serviço Nacional de Saúde e de caminho vão semeando dificuldades para travarem o acesso dos trabalhadores e da população aos serviços de saúde.
A última dessas maldades foi concretizada com a publicação do decreto-lei n.º 113/2011 que regula o acesso às prestações do SNS por parte dos utentes no que respeita ao regime das taxas moderadoras e à aplicação de regimes especiais de benefícios.
O Governo PSD/CDS que todos os dias “acorda” a pensar onde pode ir sacar mais aos bolsos dos cidadãos, tem tido no Conselho de administração da ULSNA executores servis das suas políticas e vontades.
Os resultados são visíveis.
A desactivação de 13 Extensões de Saúde (Marvão: Escusa, Galegos e Alvarrões; Avis: Maranhão, Valongo e Alcórrego; Campo Maior: Ouguela; Nisa: Arez, Monte Claro, Pé da Serra, Salavessa e Velada; Crato. Pisão) e a fusão de 8 Centros de Saúde (Alter do Chão+Crato, Castelo de Vide+Marvão, Sousel+Fronteira e Arronches+Monforte) resulta numa maior dificuldade de acesso das populações aos cuidados de saúde e levará a um aumento do fluxo de doentes aos serviços de urgência hospitalar e uma diminuição do nível de cuidados de saúde com o respectivo agravamento da saúde destas populações, já de si envelhecidas e isoladas.
A acrescer a isto o governo decidiu novos e brutais aumentos das taxas moderadoras, nos medicamentos e cortou o apoio no transporte de doentes.
Eles sabem que o dificultar ou anular o acesso aos cuidados de saúde a médio e longo prazo vai determinar o aumento público das despesas com a saúde, agravando os danos colaterais que vão existir para a saúde dos cidadãos e condenando à morte os mais debilitados e pobres.
Sabem-no mas continuam. Porque o seu objectivo não é a melhoria da saúde das populações e o reforço do SNS. O seu objectivo é desacreditar o SNS, torná-lo menos acessível e abrir caminhos para a sua privatização.
Todos nós sabemos que os mesmos que nos dizem que não há dinheiro para investir na saúde vão atirar mais 5 mil milhões de euros para o BPN e oferecer mais 12 mil milhões para os Banqueiros.
As populações do Norte-alentejano não se irão render às políticas de destruição do Serviço Nacional de Saúde e às medidas da ULSNA que em vez de optimizar os recursos existentes e melhorar os serviços procura desmantelar a capacidade dos serviços e impedir o acesso das populações aos serviços e possibilidade dos técnicos de saúde quebrarem o isolamento em que vivem milhares de pessoas no distrito.
A solução não é aumentar os custos para as famílias e reduzir a capacidade dos técnicos de saúde intervirem junto das populações. A solução é o estado investir mais na saúde dos portugueses, reforçando o papel do SNS.
A Solução não é encerrar extensões e agrupar/fechar Centros de Saúde. A Solução é dotar os Centros de Saúde com os equipamentos e os técnicos necessários a garantir às populações que não precisam deslocar-se aos hospitais e entupirem os serviços de Urgência.
Porque este é o caminho, não deixaremos de nos bater pela sua implementação, não deixaremos de defender o Serviço Nacional de Saúde e o direito que todos temos a serviços de saúde dignos, competentes e próximos.
Este é o nosso compromisso. Iremos honrá-lo.
Portalegre, 2011-12-17
Os participantes na Tribuna Pública em Defesa do Serviço Nacional de Saúde.

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