quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Na Estação da CP de Elvas a defender o transporte ferroviário

Sindicalistas e ambientalistas do Alentejo e da Extremadura espanhola, autarquias e Associações de Amigos do Caminho de Ferro reafirmaram o seu empenhamento na defesa do transporte ferroviário no Alentejo e na Extremadura

O Plano Estratégico dos Transportes anunciado pelo Governo português em Outubro pretende acabar com os serviços de passageiros existentes actualmente na linha do Leste (serviço regional) e no ramal de Cáceres[1] (serviço internacional Lisboa - Madrid, com paragem em Marvão-Beirã). Se estas medidas se concretizarem, a ferrovia na região limitar-se-á no futuro aos serviços de mercadorias na Linha do Leste, ficando o distrito de Portalegre, literalmente, a ver passar comboios, não tirando deles quaisquer benefícios.

Se a ferrovia da região tem poucos utentes tal deve-se a uma série de factores constrangedores (horários inadequados à procura, material de transporte obsoleto, falta de conforto das estações, exploração assente em moldes arcaicos, reduzida frequência de circulações e ausência de transportes complementares), que urge ultrapassar, de forma a torná-la competitiva, colocando-a eficazmente ao serviço da população.

É preciso não esquecer que o comboio é um modo de transporte que estrutura o território e que, pelo seu baixo custo energético, reduzida poluição, segurança, conforto, rapidez (se moderno), contribui para o desenvolvimento sustentável de uma região. O transporte rodoviário apontado como alternativa é fomentador do desordenamento do território, é mais moroso (ex.: uma viagem entre Portalegre e Coimbra em autocarro tem a duração de 5,35 horas enquanto de comboio é de 3,22 horas), apresenta custos energéticos mais elevados, é altamente poluidor e menos seguro.

Num momento de crise económica e social, a que se junta o elevado custo dos combustíveis e as portagens nas auto-estradas, torna-se necessário mudar o paradigma de mobilidade.

Exigimos ao Governo português a revitalização da linha do Leste e do ramal de Cáceres, a fim de que se tornem motores de desenvolvimento regional.

Queremos uma ferrovia ao serviço das populações norte-alentejanas e extremenhas. Lutamos por regiões e países mais coesos, solidários e sustentáveis.

Elvas, 15 de Dezembro de 2011



[1] Entretanto adiado por necessidade de entendimento com Espanha.
A foto é propriedade do www.tudobem

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