
As três cidades do nosso Distrito estão a atravessar dificuldades, as taxas de desemprego, segundo a União de Sindicatos do Norte Alentejano (USNA) estão "muito elevadas" e não há perspectivas de investimento.
"Preocupados" os sindicatos condenam o Governo, culpando-o de "estar a empurrar o Distrito para a destruição".
Ultrapassado que está um ano que impôs aos norte alentejanos "duras provações", a USNA inicia 2010 com a convicção de que "não poderemos" continuar a "adiar as medidas necessárias a travar e inverter" o caminho que "nos tem empurrado" para uma "cada vez maior debilidade" do tecido produtivo regional, para "níveis escandalosos" de desemprego e precariedade, para "patamares insustentáveis" no que respeita ao rendimento das famílias e bem-estar da população.
Defendendo que "é hora de mudar" e da sociedade se "mobilizar e lutar por tudo a que temos direito", o coordenador da União de Sindicatos, Diogo Júlio, alerta que "a região corre o risco" de ver aumentada a sua interioridade e desertificação "ao persistirem as políticas de desmantelamento" do sistema produtivo, de "redução" do poder de compra da população em geral, e em particular dos trabalhadores por conta de outrem e reformados. "É uma situação insustentável que não queremos nem podemos permitir", defende.
Esta terça-feira, e a seu pedido, a USNA foi recebida pelo Governador Civil Jaime Estorninho para lhe transmitir a sua preocupação, mas também para "lhe pedir que assuma ser protagonista da convocatória de um grande plenário" com todos os actores regionais que possa "pensar o futuro do Distrito" e "agir em unidade para obrigar o Governo central" a "olhar Portalegre com olhos de governo do País", explica o coordenador da USNA.
Lamentando que o Alentejo esteja a "pagar um preço alto" por esta "crise fabricada" que "veio salvar o Governo de ter que se confrontar com este desastre que ele próprio fomentou", Diogo Júlio a crise internacional "não tem nada a ver" com a destruição do aparelho produtivo e de todo o interior do Pais. No seu entender, "só serviu para que alguns se aproveitassem dela e despedissem, encerrassem e se deslocalizassem, ou outros, como os bancos, para se encherem de dinheiro".
E para o sindicalista, o Distrito de Portalegre está no Alentejo como o "parente pobre", uma vez que "não temos qualquer investimento". Na sua opinião, o primeiro-ministro não vem ao Distrito porque "sabe que não fez rigorosamente nada" e que "está deliberadamente a deixá-lo morrer".
Diogo Júlio chama ainda a atenção, referindo que o Distrito de Portalegre está "deliberadamente a ser entalado" entre dois corredores de possível desenvolvimento que "se não forem alteradas políticas é mesmo para fechar". Assim, lembra que existe o corredor da A6 que vai de Lisboa para Madrid e que "nos toca em Elvas, porque era difícil fazer uma ponte que fosse de Évora directamente a Badajoz"; e o corredor que tem a ver com a A23 e que passa por Castelo Branco.
Frisando ainda que existem "algumas mexidas na área de Abrantes que podem tocar ao de leve em Ponte de Sor", Diogo Júlio lamenta que, em Portalegre, "aqui ficamos só porque há má vontade, para além de incompetência pura, do Governo e dos seus representantes no Distrito" que, segundo diz, "estão deliberadamente a asfixiar" o nosso Distrito.
Lançando ainda críticas aos representantes do partido do Governo, o coordenador declara que "ou não vêm as necessidades que temos ou se acomodaram à ideia de que mais vale terem o seu lugar seguro do que mexer no Distrito". Assim defende que "têm de se empenhar", até porque, no seu entender, "o governo está a empurrar o Distrito para a destruição".
Portalegre e Ponte de Sor em "situação complicada"
Os últimos meses de 2009 ficaram marcados por dificuldades de muitos trabalhadores de Ponte de Sor. Além do encerramento da Delphi que conduziu para o desemprego cerca de 430 pessoas, a corticeira Subercentro tem um processo de insolvência que ainda não foi resolvido. Os mais de 200 trabalhadores suspenderam o contrato e estão a receber subsídio de desemprego, "mas não acreditamos que vá haver outra decisão que não seja encerrá-la", lamenta Diogo Júlio.
Também a Dyn`Aero está, há já algum tempo a atravessar dificuldades. "Começou logo mal", dado que "foi inaugurada com pompa e circunstância em Novembro e em Dezembro desse ano já não pagou o subsídio de Natal" e a partir daí "tem andado com balões de oxigénio". Actualmente tem alguns trabalhadores em lay-off e outros suspenderam o contrato. "São mais 55 que, na prática, estão no desemprego", lamenta o coordenador da USNA, salientando que, em Ponte de Sor, começa a haver "algum dramatismo" até porque, neste momento, só a "Amorins e Irmão" se encontra a laborar "mas também a meio gás".
Assumindo que Ponte de Sor "deixou de ser um referencial de empregos" para ser uma das cidades que está neste momento com "problemas gravíssimos", Diogo Júlio realça que apenas a economia social, as Misericórdias e a Câmara são, agora, os maiores empregadores. No entanto, essas áreas "não são capazes de fazer esquecer os empregos perdidos". Para o coordenador da União de Sindicatos, Portalegre encontra-se numa situação semelhante, porque "por mais emprego que nasça, e não tem nascido nenhum, não conseguiu nunca compensar" os cerca de 500 trabalhadores aquando do encerramento da Fino`s, da Jonhson Controls e da Robinson
Considerando que estas duas cidades se encontram numa situação "muito complicada", o sindicalista não esconde que "não há nenhuma terra do nosso Distrito imune a esta situação", até porque as taxas de desemprego estão "muito elevadas", ultrapassando cerca de 18% nos jovens até aos 34 anos. "E isto é mais grave do que os números, porque esta faixa etária só tem uma saída que é ir embora", lamenta.
Também a cidade de Elvas, e de acordo com Diogo Júlio, "tem muitos problemas", nomeadamente de desemprego.
"Elvas não perdeu grandes indústrias, mas tem visto deslocalizar e fechar serviços. Os problemas aqui têm a ver com o Estado, onde têm encerrado muitos serviços e não têm conseguido honrar os compromissos que têm feito com Elvas", desde a saída dos militares, o fecho da maternidade, e a não construção da prisão modelo no colégio de reinserção social de Vila Fernando.
Segundo Diogo Júlio, Campo Maior ainda é "uma ilha no meio de tudo isto", graças às empresas do Grupo Nabeiro. Segundo conta é um município que "se mantém equilibrado".
Medidas de urgência
Defendendo que é "fundamental" para o nosso Distrito "o eixo vertical que liga a A23 à Plataforma Logística do Sudoeste Europeu", o coordenador da USNA vinca, mais uma vez, que "queremos também investimento", na medida em que "há necessidades que têm de ser supridas".
Confiante, e ainda mais após o encontro com o Governador Civil, de que "há condições" para os actores regionais construírem uma "proposta viável e debatermo-nos por ela", Diogo Júlio adianta que a USNA tem uma "proposta concreta" para a sociedade do norte alentejano.
"Achamos que o desenvolvimento do Distrito passa pela construção de um pacto territorial para o emprego e desenvolvimento, assente numa operação integrada de desenvolvimento que garanta o financiamento necessário para que seja feito tudo quanto é necessário", adianta o coordenador, acrescentando que, para além das infra-estruturas e da renovação das linhas de caminho-de-ferro, é preciso "criar condições" para transformar os nossos recursos endógenos. As cortiças, as rochas ornamentais, a agro-alimentar e o turismo são os sectores que, para a USNA, "nos podem tirar do buraco para onde outros nos empurraram". Mas para tal, "é preciso tomar medidas e investir".
Defendendo que "temos de caminhar em conjunto porque a altura é aflitiva", Diogo Júlio realça que é preciso "pensar o Distrito e numa perspectiva nacional". "Não queremos nada de benesses, queremos que o governo central e os seus representantes no Distrito olhem para nós com uma lógica de governo da nação", manifesta.

Selenis com indicadores "muito preocupantes"
Mostrando-se "muito preocupado" com a Selenis, Diogo Júlio frisa que além do não pagamento pontual do subsídio de Natal aos trabalhadores, começam a aparecer indicadores "muito preocupantes" que têm a ver "com a própria La Seda e com o investimento em Sines que não está a ser feito", mas também com "grandes dificuldades" da empresa de Portalegre em "pagar fornecimentos do dia-a-dia, desde a água ao transporte".
Recordando que havia um "investimento significativo" entre a Selenis e a Transnil, Diogo Júlio conta que "ao que parece" a indústria de polímeros "já informou que não vai honrar o compromisso, e todo esse investimento é para perder". Segundo Diogo Júlio, se tal acontecer, serão criados dois problemas. "Mostra que há dificuldades na Selenis e que vai criar grandes dificuldades à Transnil que tinha uma parte significativa da sua frota adstrita ao transporte de produtos para a Selenis", explica.
Textos e fotos: Catarina Lopes
in Jornal Fonte Nova
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