Durante um interrogatório realizado no Tribunal de Serpa,
no passado dia 7, a
oito cidadãos romenos que vinham acusados do crime de tráfico de pessoas, foram
ouvidos vários trabalhadores sequestrados oriundos deste país do Leste europeu
e um deles relatou ter perdido 23 quilos por força dos maus tratos que recebeu
e da fome a que foi sujeito durante várias semanas.
"Estava um farrapo humano", descreveu uma das
pessoas presentes na audição dos testemunhos que contribuíram para a prisão
preventiva de quatro dos oito indivíduos detidos pela Polícia Judiciária em
Aljustrel.
Este exemplo reflecte uma persistente realidade no
dia-a-dia dos imigrantes romenos que rumam ao Alentejo no início do Outono,
contratados por compatriotas seus para trabalhar durante dois ou três meses na
apanha da azeitona. O seu número cresce de ano para ano, à medida que aumenta a
produção nos novos olivais intensivos, assim como os casos de exploração de
mão-de-obra, sem que as autoridades portuguesas se decidam a "recebê-los
em condições dignas", protesta Sérgio Engana, presidente da Junta de
Freguesia da Salvada no concelho de Beja. Há três anos a esta parte que se
insurge contra a situação degradante de ver cidadãos romenos que chegam à sua
terra a alimentarem-se do que é deitado nos contentores do lixo, enquanto
outros se colocam à porta de estabelecimentos comerciais a pedir dinheiro para
comprar pão.
Publicado por Carlos Dias no Jornal Público de
29-12-2012
Foi contra este estado de
coisas…contra a voragem capitalista, que os Sindicatos do Alentejo e da
Extremadura montaram nos anos 90 uma acção sindical nos campos de Badajoz
visando e conseguindo garantir condições dignas para os trabalhadores
temporeros que anualmente cruzavam a (ainda) fronteira entre Portugal e Espanha
para se ocuparem na apanha de tomate nas Bajas do Guadiana e na colheita de
cereja no Vale de Jerte.
Com a luta sindical
conseguiram-se os apoios necessários a garantir aos “temporeros” locais de
acolhimento com um mínimo de condições para eles e para as crianças que os
acompanhavam.Na altura a CCDRA, a Junta de Extremadura, a Cruz Roja e outras organizações uniram-se aos Sindicatos no combate ao trabalho sem direitos, aos acampamentos debaixo das pontes, à exploração das crianças…a batalha foi vencida.
Agora, em
Os sindicatos do Alentejo estão, como sempre, disponíveis para travarem esse combate.
Vamos a isso!

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