Declaração do CSIR Alentejo/Extremadura
(Presidência)
Caros/as Companheiros/as,
Hoje voltamos à estação da CP da Beirã para reafirmarmos
o nosso descontentamento e indignação por o Governo Português ter persistido na
sua vontade de nos manter ainda mais isolados de juntar o desmantelamento do
Ramal de Cáceres ao já desmantelado serviço de passageiros na linha do Leste.
O Plano Estratégico dos Transportes anunciado pelo governo
português, em Outubro de 2011, dava conta da intenção de acabar com o serviço
de passageiros nas linhas existentes no Norte Alentejano (linha do leste e
Ramal de Cáceres), passando a primeira para serviço de mercadorias e
desactivando a segunda como aliás já havia feito com o Ramal de Portalegre.
O Serviço Internacional Lisboa/Madrid seria desviado para
a Linha da Beira Alta.
A população e o movimento sindical demonstraram de
imediato o desacerto dessa decisão e iniciaram um movimento de protesto e
contestação cujos momentos mais relevantes aconteceram com o Encontro de
Autarcas do Norte Alentejano e da Extremadura, realizado em Marvão e com o
Manifesto ali aprovado e denominado Manifesto da Beirã, o Encontro Sindical
Transfronteiriço que realizámos em Portalegre e as diversas acções
desenvolvidas pelo Movimento Sindical do Alentejo e da Extremadura em Cáceres,
Valência de Alcântara, Elvas e Beirã.
Hoje, a poucas horas de se concretizarem as intenções do
governo de desactivação do Ramal de Cáceres e dessa forma privar todo o
distrito de Portalegre do serviço ferroviário de passageiros e a Extremadura,
dos serviços do comboio Lusitânia, o movimento sindical de ambos os lados da
“fronteira” integrado no Conselho Sindical Interregional Alentejo/Extremadura
reafirma a sua adesão ao teor do Manifesto da Beirã, retoma as exigências
feitas no Encontro Sindical Transfronteiriço de Portalegre e assume o
compromisso de continuar a mobilizar os trabalhadores e as populações do
Alentejo e da Extremadura na exigência de políticas que possibilitem a
construção de uma Euro-Região mais coesa, solidária e sustentável só possível
com o desenvolvimento de estratégias que facilitem a circulação no interior da
Euro-região e da sua ligação com todo o território da Ibéria e da Europa.
Nesse combate ao isolamento que tanto mal causou aos
territórios e povos da Euro-Região Alentejo/Extremadura não bastam a eliminação
das fronteiras politico-administrativas e os discursos e afirmações de vontade
de romper fronteiras.
É fundamental criar as condições logísticas e
administrativas que facilitem a circulação e isso não se consegue com a criação
de portagens ou a desactivação de serviços de transportes.
Por isso reafirmamos a exigência do restabelecimento do
transporte ferroviário no distrito de Portalegre com a remodelação e
electrificação das linhas do Leste e a manutenção do Ramal de Cáceres e a
passagem do Comboio Lusitânia.
Beirã, 2012-08-14
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