
A Greve Geral de 24 de Novembro provocou a paralisação "quase total" dos serviços públicos em Portalegre, situação que acontece pela "primeira vez" na nossa cidade, segundo a União de Sindicatos do Norte Alentejano (USNA).
"A Greve Geral foi sentida e vivida com grande intensidade no Distrito de Portalegre", admitiu Diogo Júlio, acrescentando que "a Greve chegou a todos os locais de trabalho em cada um dos 15 concelhos do Distrito, encerrando inúmeros serviços ou mantendo-os a funcionar através dos trabalhadores em greve, mas a cumprirem os serviços mínimos que a lei (e em muitos casos o bom senso) impõe".
Apesar de "alguns condicionalismos" que aconteceram antes da Greve Geral, Chambel Tomé, presidente da UGT de Portalegre, congratulou-se com a adesão registada não só a nível nacional, mas sobretudo no nosso Distrito, onde, segundo salientou, "a saúde, a educação e os transportes foram os sectores mais atingidos".
Subscrevendo as palavras de Chambel Tomé, o coordenador da USNA admitiu que, no nosso Distrito, a Greve Geral "foi um grande êxito", sendo que "correspondeu quer às expectativas, quer às necessidades que tínhamos para a realizar".
Revelando que a adesão verificada no Distrito de Portalegre "ultrapassou os 70 por cento", o coordenador da USNA admitiu que "estamos satisfeitos em todas as áreas onde a resposta foi grande e satisfatória, e em situações muito adversas".
"Quem não participou nesta luta faz parte dos derrotados, os que participaram, mesmo sozinhos, fazem parte dos vencedores e daqueles que estão disponíveis para continuar a lutar", salientou.
Diogo Júlio fez questão de aclarar que a Greve foi mobilizada "não para derrubar o Governo", mas para uma "ruptura com as políticas e para haver políticas diferentes que permitam dizer que o Distrito de Portalegre está no coração do triângulo de desenvolvimento ibérico" e por isso "é a porta para a Europa e para o nosso desenvolvimento". Como tal, defendeu que "devemos ser tratados com esse estatuto e ninguém pode assobiar para o lado".
O coordenador da USNA dirigiu ainda uma palavra para aqueles com responsabilidades nos diversos serviços que "não foram capazes de resistir às pressões e andaram a cumprir o papel de empregados do poder central, em vez de cumprirem o seu papel de homens e mulheres do Norte Alentejano que era importante lutarem por ele".
Saudando os trabalhadores que afirmaram o seu "descontentamento" e a vontade de contribuírem para alterar a situação do País e da região onde nos inserimos, a direcção da USNA saúde igualmente os delegados, dirigentes e trabalhadores organizadores e participantes na Greve Geral.
Tentativas de desmobilizar os trabalhadores
Segundo Diogo Júlio, também no Distrito de Portalegre ocorreram "tentativas de desmobilizar os trabalhadores e de menorizar a Greve, tentando colocar a questão de que o País precisa de trabalhar e o que era preciso era produzir". Contudo, e segundo defendeu, "entendemos que é necessário parar para reflectir e inverter a situação que vivemos". E nesta matéria, "os trabalhadores perceberam muito bem" e responderam de forma clara, aderindo em grande número à Greve Geral.
O coordenador da USNA fez questão de salientar que no Distrito de Portalegre esta acção foi desenvolvida "num contexto de desemprego, de pobreza absoluta e de medo que foi aproveitado por algumas administrações para tentar furar a greve". Segundo revelou, ocorreram "pressões enormes e ilegítimas contra os trabalhadores, nomeadamente no Hospital Doutor José Maria Grande", mas mesmo assim "não conseguiram que os trabalhadores não fizessem greve".
in Jornal Fonte Nova
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